O Tempo das Criadas. A condição servil em Portugal (1940-1970)

 

Autora: Inês Brasão

Editora: Tinta da China, 2012

Trabalho fascinante que corresponde a uma investigação com vista a doutoramento em Sociologia e Economia Históricas na UNL e foi publicado com o apoio da FCT, o qual dá conta da interligação entre "um padrão de crescimento e democratização do acesso aos serviço doméstico por parte das famílias urbanas", correlativo do progresso económico, referindo a autora que muitos dos patrões desempenham cargos de direção ou de administração, mas também existem membros de profissões de caráter técnico, intelectual e comercial, e a procura de "criadas de servir" em meios rurais. Em Lisboa, designadamente nas Avenidas Novas e em Alvalade a tipologia seguida neste período na maioria das habitações familiares consagra a existência de um quarto e casa de banho para a criada.

Assente no método biográfico, a obra resume um conjunto de biografias de mulheres que desempenharam envolvidas no serviço doméstico geralmente até ao casamento e que tiveram posteriormente percursos diversos mas que só excecionalmente (caso de uma atual juíza desembargadora) melhoraram significativamente a sua condição social.

Inês Brasão, atualmente docente da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar do IPLeiria refere-se ao "sistema de patrocinato e apadrinhamento, que se sobrepõe às relações de dominação no quadro da condição servil", presente em quase todas as relações, num contexto em que o Estado Novo só timidamente começa a encarar o reconhecimento do caráter laboral da relação. A autora não deixa de mencionar as "Zitas" organizadas pela Igreja Católica e o Diálogo com a História Sindical: Hotelaria. De criados domésticos a trabalhadores assalariados, de Américo Nunes, de que tratámos no nº 42 da Ensino Superior-Revista do SNESup, justamente para referir a luta dos trabalhadores da hotelaria no sentido de não serem considerados empregados domésticos.

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