Delineando o Perfil do Docente do Ensino Superior

1-    Introdução: Algumas considerações

Qualquer docente, mormente do ensino superior, deve entender o processo educativo como um meio transmissor de saberes, comportamentos e competências.

Como é sabido, qualquer ser humano responsável deve, acima de tudo, integrar-se e inserir-se com autonomia, responsabilidade, espírito investigador e comunicador por excelência na sociedade.

Na verdade, hoje, não basta saber. As mutações socioculturais exigem de cada um, uma preparação atualizada de saberes científicos e técnicos no seu sentido mais abrangente.

Com base nesta possível verdade, o docente terá, na sua prática, de ter presente as diferenças socioculturais e valores, assim como a singularidade e complexidade que identificam as diferentes personalidades que daí resultam.

Desta forma, falar de educação pressupõe refletir sobre todas as componentes que definem o ser humano, assim como das práticas pedagógicas propostas e realizadas em qualquer instituição educativa, onde a perspetiva do professor deverá envolver-se de responsabilidade e empenhamento na formação íntegra dos indivíduos, partindo, evidentemente, das suas capacidades próprias e individuais.

Sem esquecer o professor como pessoa, ele deve, na sua relação profissional, "saber" "educar" um ser humano, o que implica, antes do mais, vê-lo como alguém, com sentimento, personalidade e capacidade de autodesenvolvimento, não o confundindo com qualquer outro, pois independentemente da sua função, e da função que cada um desempenha em sociedade, cada indivíduo "é único, irrepetível, indivisível", pelo que a ação educativa deve ser um veículo com características próprias, que devem ser adaptáveis a cada ser humano.

Ora, para que a ação educativa seja entendida como fundamental à formação do indivíduo, o docente do Ensino Superior deve também integrar-se no esquema social e ser reconhecido como ser humano com direitos próprios e deveres inerentes à profissão e/ou função que lhe é conferida e confiada.

Poderíamos, então, aceitar que o homem se (trans)forma, ao longo do seu ciclo de vida, na medida em que tudo se desenvolve numa atmosfera de reciprocidade.

Segundo Evaristo Fernandes (1987) "a educação entendida no seu sentido lato não tem princípio nem fim. Assim, a relação pedagógica, pressupõe antes do mais uma relação entre pessoas, com base no pleno desabrochar da personalidade.

Considerando as reflexões referidas, não se poderia falar num perfil ideal do docente do ensino superior, considerado ideal ou possível, sem se ter presente a importância da relação pedagógica, na sua qualidade e complexidade.

Para se desenhar o perfil do docente, parece-nos fundamental situar algumas vertentes elementares, referentes à relação pedagógica, sendo a partir delas que se poderá definir ou desenhar o perfil do professor, retratado pelas suas competências.

O docente, qual pedagogo, jamais deverá esquecer ser necessário ver o ser humano, como um ser dotado de interioridade, capacidade, autenticidade, capacidade de relação e com idoneidade para a sua relação com os outros.

Pessoa é também um TU, diferente de um EU (Tavares, 1993). E com base nesta inegável verdade, cada indivíduo é diferente na sua personalidade, com sentimentos e aspirações próprias, capaz da autonomia e liberdade construída; é um ser em relação permanente e que se define no seu confronto com os outros.

Entende-se "pessoa" como um ser único, indivisível, irrepetível, com valores próprios na sua razão de ser "pessoa", pode definir-se pela interioridade que nele existe e pelas relações que, dia-a-dia, estabelece.

           

 2 - A relação Pedagógica e Humana

Falar de relação pedagógica é, simultaneamente, simples e complexo, pois não há transparência de uma relação efetiva na sua totalidade, uma vez que se admite que o ser humano esconde algo, no seu caráter, como forma de se proteger das possíveis agressões que o rodeiam. A relação pedagógica é, antes de mais, uma relação entre pessoas, sendo a atuação do docente a tónica que deverá conduzir ao pleno desabrochar do Eu, o que implica ter presente diferentes noções de ser pessoa.

A relação educativa ou pedagógica não é unilateral; implica um processo de aprendizagem, e permanente mudança pessoal, onde o professor, pelas suas competências, tem funções humanizadoras, conduzindo e preparando o desenvolvimento da personalidade individual e coletiva.

Estas competências, quando conscientemente exercidas, concorrem para numa postura permanente de equilíbrio, facilitando ao homem, pelos seus saberes e competências, a sua autenticidade e o direito de ver respeitada a sua singularidade e liberdade. No contexto do ensino Konogh e Crews, (1987) defende três tipos de atitudes e três níveis de atuação.

 

O ensino reflexivo, já afirmado por Dewey nos anos 30, exige uma mentalidade aberta e um saber estar, no sentido mais abrangente do termo. O ensino reflexivo deve envolver-se de responsabilidade, assegure a integridade, a coerência e harmonia daquilo que se pretende defendido (Dewey, 1989). Este modelo de ensino tenta procurar os propósitos educativos e éticos da própria conduta docente e não somente os utilitários.

Segundo Dewey, o docente tem de envolver-se de predisposição para realizar a sua função com curiosidade, energia, capacidade de renovação, inovação e luta contra a rotina. Zeichner e Liston (1987) estabelecem três níveis de reflexão que são: a técnica, a prática e a crítica.

1) Uma relação epistemológica sobre a prática revela-nos uma conceptualização radicalista do professor e, consequentemente, uma mudança profunda, tanto a nível da técnica como da teorização da sua praxis. O pensamento prático do docente é vital para a compreensão do processo do ensino/aprendizagem, tendente a desencadear uma mudança curricular no sentido da qualidade e sempre numa atmosfera inovadora.

Segundo Schôn (1987), o modelo tecnicista elabora-se por situações de índole familiar e tenta a resolução dos problemas pela aplicabilidade de princípios, regras e procedimentos e por técnicas, claramente definidas, pela aplicação de métodos científicos, convertidos na investigação/ação.

2) A prática pedagógica não deve restringir-se aos "atos" meramente profissionais; ela é um dos pilares fulcrais ao processo de formação. A prática pedagógica e o exercício profissional devem caminhar paralelamente, sendo indiscutível, neste processo dualista, o desenvolvimento pessoal e social da aprendizagem do professor. Assim, ao considerarmos que o docente tem o dever de, enquanto pedagogo, ajudar o educando na construção dos seus alicerces socioprofissionais e pessoais, também ele é comprometido e tem responsabilidade na construção do EU e do social.

Atualmente, responsabiliza-se a profissão universitária, mormente os docentes do Ensino Superior, por assegurar a continuidade de saberes e garantir o progresso, por meio de metodologias pedagógicas, pela atualização técnica e científica e, de tal forma, que, cabe a cada docente, na responsabilidade total dos seus "atos", preparar homens como unidades válidas e empenhados na construção de uma sociedade útil, desenhada num percurso de perfeição e empenhamento.

O docente deve, acima de tudo, ser entendido como pessoa com direitos, deveres e responsabilidades, comprometendo-se com um desempenho de qualidade, orientado pelos domínios culturais, técnicos, científicos e filosóficos da sua profissão.

Deve defender e preservar a sua carreira profissional com dignidade e, para tal, deve manter-se atualizado; tanto quanto lhe é exigido e confiado, deve beneficiar a aprendizagem dos seus alunos pelo sentimento da afetividade.

3) No ensino reflexivo há certas atitudes e predisposições pessoais encontradas nos professores, as quais se traduzem por um conjunto de destrezas ou habilidades cognitivas e metacognitivas. Katz e Raths (1885) referem a prática reflexiva como disposição de atitudes que identificam os objetivos básicos. E entendem disposição como uma característica específica que se traduz na forma de atuar num determinado contexto. Para isso, o professor deve ter uma mentalidade aberta, disponibilidade e responsabilidade moral e intelectual, ter curiosidade, entusiasmo, energia e capacidade de renovação e de luta contra a rotina.

A relação interdisciplinar e pluridisciplinar coloca a tónica nos diferentes saberes e inerentes práticas e, como tal, requer uma postura consciencializada, idónea e entendida como eficaz pelo processo de "disciplina".

Há, no entanto, que considerar o que se entende aqui por "disciplina". No contexto profissional implica as seguintes atividades particulares: determinar, acima de tudo, o que se identifica por "ser homem" e "ser natureza", desenhar e estabelecer métodos de investigação, determinar o domínio da disciplina e a perspetiva que a caracteriza, definir os conceitos-chave, relacionar diferentes disciplinas afins com o objetivo de assimilar sua terminologia e características e ainda conhecer e dar a conhecer as diferentes vertentes históricas inerentes à disciplina, assim como clarificar o seu caráter.

Segundo Nóvoa (1992) a definição operativa da "disciplina" determina os limites e áreas de intervenção profissional, define a profissão na medida em que permite conhecer o objeto de estudo, a relação que envolve o homem e sua própria natureza.

Em conclusão, o perfil profissional traduz-se por um "corpus"de competências e ainda pelo facto do docente assegurar o conhecimento científico, a todos os níveis, como por exemplo: executar criteriosamente as funções que lhe são confiadas, definir e defender valores e atitudes consagradas no seu desempenho, exercitar as suas habilidades e conhecimentos, envolver-se em metodologias científicas pela investigação e ação criteriosa e conscientemente, a sua praxis tendo presente a qualidade.

Finalmente, pela planificação, o professor deve implementar meios que estimulem, favoreçam e incrementem o desenvolvimento dos indivíduos nas áreas cognitivas, na linguagem e nos comportamentos.

Por outro lado, deve saber identificar, analisar e investigar as variantes organizacionais e ambientais, que interferem no desenvolvimento/crescimento pessoal.

Deve também, desenvolver metas e adequar técnicas de diagnóstico, facilitadoras do crescimento e do progresso do país, que vise pela prática a aprendizagem; deve ainda, desenhar e implementar programas de intervenção, com a finalidade de promover a aprendizagem e o crescimento global do indivíduo; finalmente, deve saber avaliar os programas e curricula explícitos, e até mesmo os implícitos, promovendo possíveis modificações, que privilegiem a interdisciplinaridade e o saber multifacetado. Não deve estar fora da intenção do professor promover possíveis modificações de ambiente institucional, que possam ajudar na construção do "eu" e no pleno desabrochar da personalidade, tendo como meta a qualidade científica, técnica e o progresso social.

Seja qual for o seu nível de ensino, o professor tem o compromisso de despertar capacidades para que cada um se assuma como um ser responsável, atingindo a maturidade e o sentido da verdadeira liberdade e autonomia. Só desta forma poderão corresponder, conscientemente, à sociedade que representam e, criteriosamente constroem ou pretendem construir.

Cabe ao docente facilitar a construção plena da maturidade, assim como a formação e consolidação do Eu, senão pleno, pelo menos capaz de ajudar a elevar os alicerces essenciais, de forma a facilitar o progredir do curso da vida de cada discente, cuja orientação e ajuda é confiada aos professores.

Ensinar não é mais do que favorecer uma transação, uma permuta de valores e saberes, colocando o aluno como "planta em crescimento". Desta forma, o docente do ensino superior, pela prática, deve manter-se atento e respeitar a heterogeneidade de "saberes", onde a relação empática presente, favoreça o processo global da aprendizagem, estabelecido pela qualidade da relação pedagógica. Assim, é a relação empática e a compreensão afetiva que influenciam e impulsionam a abertura à aprendizagem.

Pelas práticas educativas, pode o professor do ensino superior levar o aluno, a "saber", "saber estar", "saber ser", "saber fazer", entre outras, e deve estar permanentemente recetivo, face à crítica, dando espaços ao aluno para fazer-se mais pessoa e ser social.

Verificados os avanços na área da ciência e técnica, o educador e educando devem colocar-se numa ótica de permanente atualização, questionando o passado, vivendo o presente e programando o futuro.

Assim, as metas de ensino/aprendizagem devem garantir os domínios percetivos, afetivos e cognitivos. Esta tríade é inseparável, interdependente e integradora de um processo ativo, dinâmico, facilitador da adaptabilidade do indivíduo.

A aprendizagem, apesar de se entender num processo complexo, revela-se relativamente simples, na medida em que acontece, de um modo gradual, sendo um somatório de variáveis que, de forma direta ou indireta, interferem no crescimento global do discente pela qualidade do desempenho dos docentes. Com base nestes pressupostos, o professor deve identificar-se, então, como agente de mudanças e, inequivocamente, indispensável à construção da realidade social.

O professor principalmente o de ensino superior, deve observar-se e escutar-se a si mesmo; da mesma forma que se coloca na ótica de avaliador dos seus alunos, deverá também autoavaliar-se. Assim, tender-se-á a aperfeiçoar o seu nível de conhecimentos, numa atitude digna e eficaz, porque assumida sem interferências de terceiros. Se o docente não conseguir entender estes pressupostos, jamais conseguirá exercer adequadamente a sua profissão.

Um docente de ensino superior ideal é aquele que se preocupa, sistematicamente, com a sua formação humana e socioprofissional; daí que a formação, ao ser entendida como um dado básico de toda a sua atividade profissional, deverá fazer do professor também um criador de saberes, fugindo, deste modo, à mera repetição do desempenho técnico e da rotina implícita da sua docência, uma vez que o fator evolução/adaptação exige o desenvolvimento de atitudes de autonomia, adaptabilidade e gosto de aprender a aprender.

 

3 - Construindo o Perfil do Professor de Ensino Superior

Falar do perfil profissional dos professores de ensino superior focalizando a importância das competências, é considerar diversos fatores dos quais se salienta: o grau de cientificidade, a qualidade das relações pedagógicas, as atitudes e comportamentos pessoais.

Aliás, enquanto Diaz Barriga (1981) defende que, "o perfil do docente do ensino superior se circunscreve pelo nível do conhecimento, grau de cientificidade, habilidades pessoais e atitudes comportamentais", Martinez y Ramirez (1981), descrevem o perfil desse docente de forma mais objetiva, afirmando que este perfil se obtém pela descrição de atos e suas inerentes características em temos de qualidade.

Por sua vez, Arnaz (1981) afirma que as características subjacentes ao perfil profissional devem envolver-se de soluções e necessidades de índole científica e social, e que se entende como completo, quando habilitado por saberes e construções que respondam, eficazmente, à sociedade e ao mercado de trabalho.

Le Boterf (1989), salienta que os professores do ensino superior têm de ser ativos e protagonistas nas diversas fases dos processos da formação, quer na conceção, acompanhamento, regulação e mesmo na avaliação.

Os docentes do ensino superior devem proporcionar situações que possibilitem a reflexão e consciencialização das limitações sociais, culturais, ideológicas e mesmo da profissão docente (Gimeno, 1990). Por outro lado, devem ser possuidores de teorias sobre o que é o ensino, teorias que, pela prática, influenciem a forma como os professores devem pensar e atuar na sala de aula (Marland e Osborne, 1990)

Segundo Nóvoa (1992), a atividade destes professores é, sobretudo, instrumental, isto é, dirigida para a solução de problemas, mediante a aplicação rigorosa de saberes e técnicas científicas; daí que, um bom docente, no seu desempenho, deva abranger uma componente cinetífico-cultural, ao pretender assegurar o conhecimento dos conteúdos a ensinar e uma componente psicopedagógica, que lhe permita atuar, na prática, com eficácia e eficiência. (idem).

A prática profissional, entendida no seu sentido mais amplo, leva-nos a admitir que no desempenho do exercício, o docente do Ensino Superior, demonstre um mais alto nível de conhecimentos, capacidades de investigação, habilidades manuais, e uma personalidade entendida como sadia, pois só dentro de um horizonte caracterizado pelo rigor da praxis se pode desenhar um perfil ideal do ser docente nesta área específica, que se designa ensino superior.

Quando nos colocamos perante a designação de competências, a sua conceção não deve dissociar-se da qualidade e competência propriamente dita. As competências traduzem um conjunto de saberes, com base na formação inicial e experiências diversificadas adquiridas pela profissionalização e aplicação prática que se manifestam em situações concretas e vivenciais.

As competências refletem um saber abrangente e requerem definições de qualificação que convergem, no estatuto social. Nas décadas de 80 a 90, Agnés Bekourian, na sua abordagem sociológica, define competência como um "conhecimento amplo que confere ao seu titular, o direito de julgar ou decidir sobre diversificadas temáticas, e de acordo com a especificidade da sua prática".

No conceito de competência estão implícitas, várias dimensões: técnica, a científica, social e política, humana, bem como, a dimensão pessoal, que nos permite colocar as competências em termos de polivalência e transferibilidade. Se considerarmos que todo o conhecimento é socialmente construído a partir do trabalho e exercido ao longo do tempo, podemos afirmar que são forjadas pelo tempo e pela experiência de projetos e de práticas, influenciadas pelo investimento científico e por aspetos operativos, afetivos e intelectuais.

As competências inscrevem-se num processo de socialização e a partir da estrutura do próprio homem; daí serem abordadas numa vertente pluridisciplinar e interdisciplinar sem negar os contributos da Sociologia e da Psicologia.

As qualificações utilizam-se para comparar saberes ou práticas por inferência a critérios de validade, com base em grelhas de avaliação e que, ao ser reconhecidas socialmente, lhe conferem validade.

 

4 - As Competências

Para se poder entender o professor ideal não importa somente conceder-lhe o conhecimento científico ou saberes técnicos, mas também uma pluralidade de comportamento mais identificáveis com as características pessoais e relacionais como: capacidade de trabalho em equipa, iniciativa pessoal, criatividade, estilo de liderança e de organização

Desta forma, Guittet; Boterf; Rocha F. e Nóvoa agrupam as competências em três grandes grupos: Competências genéricas; Competências profissionais e sociais e Competências interpessoais

 

Competências genéricas

A personalidade humana apresenta características que definem o comportamento do indivíduo durante o ciclo de vida; daí, ser necessário conhecer as diversificadas capacidades e qualidades que cada indivíduo comporta. Por julgarmos importante para o âmbito deste estudo, salientam-se algumas:

            * Espírito de iniciativa - traduz-se pela capacidade que o indivíduo tem de se organizar em grupo e realizar ações, sem que para isso tenha sido solicitado;

            * Perseverança - capacidade de realizar ações diversas e até capacidade para ultrapassar possíveis obstáculos relativos ao seu exercício e com base em objetivos propostos;

            * Criatividade - reveladora da capacidade de imaginação inerente à criação de algo original e adaptável às circunstâncias e vivências diárias, de forma a evitar certa monotonia, passividade, visando a inovação, a mudança e o progresso social;

            * Sentido de organização - revelador de habilidades, desenvolvidas num plano lógico  e detalhado com a finalidade de orientar sua atividade, tendo em vista os objetivos pretendidos;

            * Espírito crítico - traduz-se pela capacidade de pensar de forma analítica e sistemática, aplicando princípios fundamentais ou conceitos de análise de diferentes problemas ou situações na descrição de um somatório de conhecimentos;

            * Auto controlo - é a capacidade que o indivíduo tem de, ao reconhecer-se em plenitude, poder manter a serenidade em situações de índole emotiva ou de "stress" utilizando um espírito de improviso sem prejuízos;

            * Atitude de liderança - reveladora de habilidades e responsabilidades de organização, quer em grupo ou mesmo individual, reunindo esforços no sentido de uma eficácia e eficiência profissional;

            * Persuasão - traduz-se pela qualidade de converter no sentido positivo, pela obtenção de apoios com a finalidade de realizar objetivos ou certezas de índole pessoal e/ou profissional;

             *Autoconfiança - traduzida por um sentimento de confiança e segurança, crédito nas suas capacidades, habilidades, saberes e julgamento, envolvido por um horizonte de abertura em defesa de valores individuais, coletivos e sociais;

            * Perceção e interpercepção nas relações pessoais, identificada pela habilidade de ver no outro as preocupações, interesses ou estados emotivos que o envolve, reconhecendo-o, respeitando-o e interpretando situações críticas e, de forma harmoniosa, procurando ajudá-lo na construção da sua personalidade;

             *Preocupação e solicitude face aos outros e ao mundo que o envolve, caracterizada   pela defesa e garantia das necessidades básicas e de bem-estar, construindo       "espaços e tempos" que lhes permita saber ouvir o outro e encorajá-lo pelo sentimento de segurança e tranquilidade.

 

Competências profissionais e sociais

Este bloco de competências liga-se a tarefas concretas desenvolvidas dentro dum determinado contexto social, ou mesmo profissional. São identificáveis por vários modos, nomeadamente: pela prática e análise do trabalho; pela execução e lapidação da atividade profissional e social que lhe é inerente, explicitando competências, pela descrição de um aglomerado da subcapacidades que a constituem; pela decomposição de ações em micro comportamentos, tendo em vista a identificação e organização de um perfil ideal; finalmente, pela abordagem sistemática de atividades na ótica da organização, sempre em busca da qualidade, tendo presente todas as competências na mira de novos projetos profissionais, numa organização aberta e harmoniosa, dentro de um clima considerado estável e afetivamente saudável.

            As atitudes devem ser desenvolvidas num processo de comunicabilidade e qualidade. O espírito da investigação e inovação devem ser preocupação diária dos docentes, perspetivando uma mudança atual e equilibrada. Efetivamente, as qualidades, na vertente psicológica, traduzem as dimensões: cognitivas, afetivas e emocionais que se transformam na prática, por disposições e conceções pontuais e, como tal, identificam a personalidade do indivíduo.

            As atitudes relacionais e da comunicação manifestam-se na capacidade de saber ouvir, isto é, na descentração de si, qualidade da expressão e, consequentemente, na integração em equipa, pela aceitação de críticas, pela capacidade de se saber colocar em causa, pela capacidade de animação, de negociação, de organização, de saber fixar metas, objetivos e estratégias de solução e viabilidade prática.

            A autoimagem implica, como é óbvio, a aceitação de si, pelo reconhecimento pessoal, capacidade de saber avaliar as suas potencialidades e limitações no que diz respeito à inovação e mudança, pela singularidade com que o professor se integra em contextos profissionais diferentes, revelados pela aceitação das diferenças, respeito pelos corpos hierárquicos, pela compreensão e aceitação da diversidade humana, quer no que respeita a opiniões, cultura, ideologia e saberes, quer pela forma como cada um se identifica.  

            É pela capacidade de saber estar, pela política de abertura e reciprocidade que se traduz uma personalidade capaz de flexibilidade e fluidez de comportamento, capaz de saber agir num mundo de incertezas que pairam no dia-a-dia do ser humano.

            A capacidade criativa pode ser verificada pela forma como o docente se coloca perante o imprevisto, recorrendo à intuição, mobilizando capacidades intelectuais, emocionais e sensoriais, agindo sempre numa atmosfera da inovação, manipulando sistematicamente os princípios básicos das técnicas e dos saberes.

            As atitudes éticas têm referência aos valores e à perspetiva existencial do sujeito, revelada pela capacidade de se saber ser "ator social", apropriando -se do seu próprio vivido, pela capacidade crítica, na construção de um projeto pessoal, pela autoformação e pesquisa, sem descurar a carga social e cultural que o circunscreve.

            Estas competências desenvolvem-se num prisma que envolve o itinerário pessoal e profissional do docente no seu quotidiano, através das suas atividades diárias e através da formação contínua, através das suas atitudes sociais e familiares que, pela sua transferibilidade, podem ser utilizadas em vários prismas.

            Podemos, então, afirmar que tais competências devem decorrer numa atmosfera de atitudes de autoformação, traduzida pela formação contínua e atualizada e pela prática, colocando cada um numa vertente crítica e reflexiva que, pela sua naturalidade, compreenda o espaço que o envolve, o meio profissional, social e, sobretudo o meio profissional baseado num grau de racionalidade e compreensão.

            Neste sentido, Aubrun, Roselyne e Orofianna, agrupam tais competências nas quatro categorias acima descritas que se identificam no seguinte esquema:

 

            Os docentes devem revelar conhecimentos técnicos e científicos e na sua prática devem ser flexíveis, responsáveis, criativos, com iniciativa e capacidade de tomar decisões, dotados de qualidade, de comunicabilidade e de cooperação, para além de saberem planificar, executar e avaliar os atos que lhe são confiados.

 

Competências Interpessoais

            As competências interpessoais são bem distintas das científicas, técnicas e metodológicas. O "bom" professor, acima de tudo, deve ter qualidades humanas e as suas relações manifestarem-se pelos graus de afetividade que é capaz de implementar.

            Estas competências desdobram-se segundo varias dimensões:

            * No grau de qualidade da empatia, proximidade, compreensão e comunicabilidade. Dentro do possível, deve colocar-se no lugar do outro sem se envolver com ele. A empatia não é, nem pretende ser, a "pedagogia do sorriso", nem a preparação para a discórdia, mas é sobretudo, um sentimento, uma forma de estar e de sentir, uma característica do EU, elemento base no desempenho profissional que deve permanecer na vida, nos atos pedagógicos e em todas as relações que, porventura, se estabeleçam na vida diária.

            * Pelo respeito, o professor considera os alunos como pessoas, dignas de confiança e de consideração. O docente deve, por isso, depositar no aluno um valor e um potencial com capacidades de assumir responsabilidades, resolver problemas pessoais e de grupo. Pela sua capacidade de formação o professor deve saber respeitar as diferenças socioculturais, económicas e pessoais dos alunos e compreendê-las, tratando-os de igual para igual, sem com isso descurar o respeito mútuo e recíproco.

            * Pelo fator humano e compreensão empática, o docente mantém-se atento às dificuldades do aluno, aceita sugestões, e dentro do possível, adequa as temáticas teóricas e teórico práticas à compreensão por parte dos alunos. Procura resolver problemas pessoais do aluno, sem envolvimentos nem prejuízo dos restantes, deve permanecer atento às dificuldades dos discentes, criar tempos e espaços de escuta e saber ouvir e olhar o outro.

            * Pela autenticidade, deve saber avaliar o que diz e o que sente, ou seja, estabelecer coerência entre este binómio. De facto, a autenticidade não é fácil de traduzir. Rogers reconhece nesta qualidade dois pólos ou sentidos. Por um lado, autenticidade envolve coerência entre o que se afirma e o que se pensa ou sente; por outro, coerência entre o que se sente e a consciência que se tem do que se sente.

            Deve existir, sobretudo, coerência entre palavras, ações e pensamento. O docente que goza desta competência é verdadeiro, sincero e autêntico na sua singularidade e personalidade verificada em torno dos seguintes fatores:

            *Especifidade, reveladora de um autêntico saber, o bom professor revela-se pela capacidade de tornar compreensível a linguagem e evitar ambiguidades e generalidades indefinidas. O professor deve, pois, colocar-se numa atitude de escuta e compreensão para, na medida do possível, esclarecer todas as dúvidas.

            * Auto exposição, o docente deve exibir plena confiança de si, colocar-se perante os alunos como um "livro" aberto a novos saberes e servir de interlocutor, nomeadamente, por semelhanças a uma experiência difícil. Como esta realidade não é fácil, deve buscar e escolher os "tempos próprios" para fazer-se entender cabalmente e com clareza.

            * Atitude de confronto, o confronto é aqui entendido como a qualidade de saber defender e fazer respeitar os seus direitos e ser capaz de confrontar os alunos, sem contudo, os humilhar. Efetivamente, a ausência do confronto coloca dúvidas quanto à melhor atitude a tomar em incidentes e situações/problema, inerentes ao processo ensino/aprendizagem, abrindo espaços de formação ao aluno e tempos próprios da aprendizagem.

            *A idoneidade traduz-se pela capacidade que o docente tem em saber colocar-se numa relação entre ele e o outro. Pelos diferentes estatutos de relação de professor/aluno não é, de forma alguma, impeditivo esta competência seja realizada para isso; para isso, é necessário que cada um saiba ocupar o seu "lugar".

            *Aceitação da heterogeneidade de saberes e personalidades. O docente tem a responsabilidade de aceitar o aluno ou o outro tal qual ele é e não como um ideal imaginário, ou como gostaria que ele fosse.

            Em forma de conclusão, as competências tidas como interpessoais assumem-se pelo grau de qualidade e empatia, respeito e confiança, calor humano, autenticidade, especificidade, auto exposição, atitude de confronto, mediaticidade e aceitação.

            O saber relacional é fundamental na atuação prática, na medida em que ao identificar traços da personalidade, reveladores dos processos de socialização e conhecimento se obtém a capacidade de controlar impulsos.

            Os saberes técnicos e metodológicos são definidos por um conjunto de procedimentos bem organizados, utilizados em determinadas situações específicas bem delimitadas.

            Pelo saber social, o indivíduo consegue inscrever-se no meio que o envolve, bem como pela aquisição de conhecimentos de si e dos fenómenos do meio; compreende e enquadra-se nas regras da atuação social, nos códigos de comportamento, na cultura, na sensibilidade social e cultural permitindo-lhe construir e edificar o seu próprio mundo.

            Nesta construção, devem constar elementos históricos, éticos, sociais, científicos, técnicos, religiosos e de experiências anteriores, como forma se enquadrar nos esquemas sociais, na "trama" das relações sociais e na sociedade em geral.

            Segundo Gimeno (1990), a formação de professores deve proporcionar situações que favoreçam a reflexão, a consciencialização das limitações sociais, culturais e ideológicas inerentes à própria profissão.

            Neste sentido, a formação deve pautar-se por um modelo de desenvolvimento profissional e pessoal, evolutivo e continuado (Gimeno, idem). Daí que, para definirmos a atividade docente enquanto profissão, temos de ter presente a forma como o docente é capaz de, pela prática, se enquadrar numa reflexão dirigida para o auto/conhecimento e capaz de mobilizar a consciência cognitiva, sendo capaz de exercitar eficazmente as suas decisões e ações (Schulmcar, 1988). Se, segundo Elliot, o professor deve saber controlar-se, na perspetiva de Hunt deve saber adaptar-se. Por outro lado, Corey e Shumsky defendem que o professor deve saber exercitar, no momento próprio, o espírito investigativo; ser artesão de políticas, defende Koll, e ser reflexivo, defende Cruic Sank e Appegate).

            Schôn (1987) afirma que os professores aprendem, com base na análise e interpretação da sua prática, a defender necessariamente a criação de conhecimentos específicos ligados à ação profissional. Clardinin (1986) opina que o conhecimento prático pessoal implica uma dialética entre a teoria e a prática. Ora, para se poder falar de ensino reflexivo, há um conjunto de destrezas ou habilidades que o docente deve dominar.

            Estas aptidões são o reflexo das habilidades cognitivas e metacognitivas. Assim, Pollard e Tann (1987) descrevem as destrezas, necessárias à realização de um ensino reflexivo do seguinte modo:

            - Destrezas empíricas, ligada à capacidade de diagnóstico, quer em sala de aula ou fora dela, que construam um somatório de dados, situações, processos, causas e seus efeitos pelo grau de objetividade e subjetividade que são inerentes aos sentimentos de facto, emoções...etc.

            - Destrezas analíticas, representativas da compilação e análise de dados, podendo a partir destes princípios, construírem uma teoria.

            - Destrezas avaliativas, que refletem o processo de avaliação e valoração de juízos, sobre consequências educativas e resultados alcançados.

            - Destrezas estratégicas, que, por si, definem a capacidade de planificação da ação, antecipação da sua implementação e respetiva análise.

            - Destrezas práticas, reveladoras da capacidade de relacionar a análise, a prática, seus fins e meios, tendo em vista a obtenção de um resultado final positivo.

             Por último, destrezas de comunicação, inseparáveis a um eficaz desempenho. O docente deve saber comunicar e partilhar as suas ideias com diferentes indivíduos, quer sejam colegas, alunos ou outros elementos que se relacionem na comunidade educativa ou não.

            Desta forma, sublinha-se a inequívoca importância de trabalho em equipa no respeita ao desempenho profissional.

 

5 - Reflexões finais

            Se a educação comanda de certa forma o desempenho do homem na sociedade, cabe então à instituição de ensino, educar no sentido de ajudar o indivíduo a "crescer" num ambiente de confiança, numa relação pessoal e interpessoal autêntica, de atenção, de afeição, de congruência, de liberdade e partilha, de responsabilidade no sentido de promover capacidades.

            A qualidade da prática profissional, está intimamente ligada com a seleção, organização e avaliação de conhecimentos, que não se limitam a factos e conteúdos que fazem parte dos "curricula", na medida em que devem empenhar-se na sua formação profissional, de tal forma que a articulação dos diversificados saberes não sejam apenas entendidos como "lentes" cognitivas, mas simplesmente pessoas essenciais à ação e construção social.

            Para podermos afirmar que o docente desempenha a sua função com positividade, o interesse na construção do perfil no seu sentido lato deve entender-se como a pedra basilar na evolução e progresso profissional, cabendo a cada docente encontrar coordenadas de orientação laboral, traduzidas no desempenho eficaz e eficiente.

            Desta forma, podemos afirmar que o docente é alguém que, para além de ser pessoa, é chamado a participar na construção da sociedade. Ele deve, ao ter conhecimento de si, quer em relação às suas limitações, quer em relação às suas capacidades, mobilizar saberes, numa relação sadia, e organiza-se num processo de interação social, coletiva e organizacional. A aprendizagem pela experiência é fundamental, pois mobiliza um conjunto de saberes, de cariz sociológico e cultural, que implica mudanças de comportamentos.

            De facto, face aos desafios do mundo que nos rodeia resultante de uma determinada ordem social, é urgente edificar personalidades sadias, autónomas, com liberdade e responsáveis pela construção duma sociedade entendida ideal.

            O docente ideal não é aquele que cumpre escrupulosamente a sua tarefa profissional, mas aquele que pela responsabilização, liberdade e autonomia é capaz de ser ele mesmo, na sua autenticidade com os outros e que, pelo seu saber diversificado e revelado pela competência de atos, é capaz de responsabilidade libertadora e coletiva, sem esquecer as obrigações profissionais.

            Mantendo um olhar atento ao mundo, o professor é a célula base na construção social e na formação e edificação de personalidades, conferidas pela: autonomia pedagógica e cientifica, segurança e confiança, capacidade de adaptação, promoção de interação teórica e prática, manutenção de uma atitude ativa e um espírito critico, articulação de conhecimentos com a realidade, valorização da interdisciplinaridade e multidisciplinaridade, possibilidade de progressão e intercomunicabilidade e mobilidade e desenvolvimento da investigação, mudança, disponibilidade para aprender a aprender, direito ao erro, sentido da realidade e tolerância, aceitação do caráter provisório inacabado dos programas, ser objetivo, espontâneo, sabendo controlar as emoções, utilização da reciprocidade, empatia e afetividade, aceitação da heterogeneidade e diversidade dos alunos nos seus saberes e comportamentos, conhecimento de si para poder conhecer e compreender, atualizar-se pela formação permanente, etc.

            À guisa de apontamento final podemos afirmar que o professor para ser autêntico, conhecedor e consciente dos seus deveres e da sua realidade, enquanto pessoa, deve colocar-se no palco da vida com simplicidade, e naturalidade, deve considerar-se pessoa e, como tal, respeitar os outros, ser disponível; considera a valorização de si e dos outros, e a socialização, mantendo uma visão prática.

            Só desta forma se entende que, pela prática reflexiva, o perfil profissional docente se torna possível ou ideal, e que todos os que prezam a sua vocação o procura buscar.


Olga de Castro
Doutoranda na Universidade do Porto, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação
Mestre em Ciências da Educação e
Docente na (ESEP), Escola Superior de Enfermagem do Porto

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