Avaliacão de desempenho e avaliacão de docentes do Ensino Superior

O número 35 da Ensino Superior confere uma particular importância à questão da avaliação de desempenho dos docentes do Ensino Superior.

Nesse sentido, na sequência do Debate promovido pelo SNESup, a 27 de Janeiro, no Instituto Superior Técnico, sobre "A Avaliação de Desempenho nos Estatutos de Carreira", organizamos um dossier onde recuperamos algumas das questões que aí foram discutidas. Teresa Alpuim, Paulo Ferreira da Cunha, António Vicente e Catarina Fernando debatem a pertinência das métricas, dos mecanismos de peer review, da avaliação objetiva, dos perfis profissionais, dos padrões de avaliação, os avaliadores e os critérios de avaliação.

Este é sem dúvida o dossier que atualmente ocupa a agenda das instituições de Ensino Superior e dos seus docentes, mergulhados em aulas, em avaliações e perdidos em formulários de acreditação, como o SNESup tem constatado nas várias reuniões que tem promovido a nível nacional. São sinais da profunda reforma do Ensino Superior, onde, como argumenta, Joaquim Sande Silva o sistema binário se encontra em processo de extinção.

Reforma que, noutro sentido, é também uma palavra hoje muito presente nas instituições de Ensino Superior. A reforma do sistema de pensões e reformas não deixa o Ensino Superior à margem de um processo que ataca forte nas universidades. E o envelhecimento das profissões docentes é uma evidência que acarreta preocupações crescentes, como damos conta na rubrica "Opinião".

Depois de termos olhado, no número anterior da Ensino Superior, para a crise da Universidade Pública da Califórnia, desta feita elencamos, em "Temas atuais", os traços gerais das convulsões que se manifestam no Ensino Superior inglês, onde uma espécie de contratos de confiança suscitam as mais profundas desconfianças relativamente a intenções orçamentais e a parâmetros de atuação compulsivos que determinam a avaliação institucional.

A proteção de dados pessoais, designadamente os dados recolhidos pelo GPEARI para a base de dados REBIDES, assume neste número da Revista uma evidência que o SNESup lhe tem procurado dar no plano político, intervindo junto do organismo do MCTES e, mais recentemente, no plano judicial, tendo em vista assegurar o respeito por direitos fundamentais dos docentes do Ensino Superior enquanto cidadãos.

Na organização interna do SNESup merece ser destacado o reforço da coordenação da direção do SNESup.

Tanto mais que ele é feito com um protagonismo crescente de mulheres, num universo, como é o do sindicalismo, tendencial e excessivamente masculino. Nesse particular registo, também merece destaque a chegada de duas novas sub-diretoras à Ensino Superior, mantendo a expetativa de, em breve, a direção do SNESup e/ou a direção da revista poderem ser assumidas por mulheres.

Registo nas linhas deste editorial o súbito falecimento do colega Nuno Rilo, companheiro de combates e defensor intransigente de melhores condições para as instituições e docentes do Ensino Superior.

Nota: Como se torna evidente, o primeiro número de 2010 da Ensino Superior adota o acordo ortográfi co. Contudo, sendo essa uma opção do seu diretor, por ele próprio ter seguido esse caminho em 2009, os artigos assinados respeitam o estilo de escrita adotado pelos respetivos autores.

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