Cultura Madeirense Temas e Problemas

Autor: José Eduardo Franco (Coordenação)
Editora: Campo das Letras

Cultura Madeirense Temas e Problemas reúne as comunicações do I Congresso de Cultura Madeirense, realizado em Dezembro de 1990.

Repartido entre História e Tradições, Linguística, Literatura, Antropologia e Sociologia, o volume, publicado em 2008 pela Campo das Letras, conta com uma Nota de Apresentação de João Henrique Silva, e um Prefácio de José Eduardo Franco, à altura Presidente da Associação de Universitários Madeirenses, promotora do evento.

As comunicações reflectem, naturalmente, a especialização dos diversos oradores, o que não as desviando do enfoque sobre a Madeira, podem contudo, só lateralmente fazê-las inscrever-se na temática do congresso.

É histórica a perspectiva de muitas delas: desde a de David Pinto Correia, centrada na panorâmica literária de textos que, de forma directa ou indirecta visaram o descobrimento da Madeira, até às de António Aragão ou António Gorjão sobre as artes plásticas na Região, passando pela de Joel Serrão, sobre a história do Arquipélago, pela de Alberto Vieira sobre a civilização do açúcar, pela de Miguel Jasmins Rodrigues sobre as estruturas sociais da expansão portuguesa, ou ainda a de José Manuel Azevedo e Silva, que toma o clima da Região como personagem histórica.

De cariz antropológico e sociológico, encontramos o texto de Jorge Freitas Branco, sobre a gestão de recursos naturais na Região Autónoma da Madeira,  e o  de Paquete de Oliveira sobre o contributo das ciências sociais para a "Pérola do Atlântico". Ciência e tecnologia nos anos 90 e a interrogação das suas perspectivas no quadro regional é a reflexão construída por Carlos Lencastre.

De realçar ainda um dos últimos e expressivos contributos de Lindley Cintra a propósito da especificidade dos dialectos da ilha da Madeira.

Os debates travados nestes últimos anos no arquipélago, sobre aquilo que se pretende especificamente madeirense e a sua distinção no todo nacional encontram já em algumas destas intervenções - poucas ainda é certo - uma expressão acentuada. Tal ocorre com José António Gonçalves que concluirá não acreditar haver uma definição especificamente madeirense na literatura portuguesa ou com António Gorjão a afirmar o contrário para a produção artística. Paquete de Oliveira, sem iludir a questão, acaba por remetê-la para o necessário enquadramento sociológico a pesquisar.

Se certezas não trouxe, este Congresso teve o mérito de suscitar questões que ainda hoje agitam o panorama cultural madeirense. 

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