A Universidade de Emilio Botín

O Presidente do banco Santander e do Portal Universia reuniu, no II encontro de reitores, quase 1000 reitores do espaço ibero-americano na cidade mexicana de Guadalajara.

Estiveram presentes reitores dos 17 países ibero-americanos que congregam as quase 1200 universidades associadas do Universia, o que representa um salto quantitativo e qualitativo enorme em relação ao primeiro encontro, realizado na Universidade de Sevilha, em 2005, com cerca de 400 reitores.

A questão que se coloca, em primeiro lugar, mesmo antes de se procurar saber o que motiva o Santander e Emílio Botín, é a de descortinar as razões que levam 1000 reitores a juntar-se em Guadalajara? Para além daquelas que possam ser mais comezinhas, há razões de duas ordens que é curial destacar.

Por um lado, as dificuldades financeiras que as universidades atravessam e que fazem com que, para quem as dirige, a relação com o mercado e com financiadores privados - independentemente da disponibilidade e da estratégia do Santander - seja cada vez mais vista como um imperativo incontornável. Os recentes acordos das Universidades do Porto e de Coimbra com o Santander são disso um exemplo. Acresce a isso, a empatia política, sensível a agendas como a da European Round Table, que concorda que as universidades sejam colocadas nas mãos e ao serviço das empresas. Lord Mandelson, em Inglaterra, com repercussões que este número da Ensino Superior evidencia, ao publicar o discurso de Tariq Ali, impulsionou fortemente essa política. Mas também no país de Emilio Botín, Zapatero criou o novo Ministério da Ciência e da Inovação, entregando a tutela a Cristina Garmendia, empresária e Presidente da Associação Espanhola de Organizações Empresariais, que depois de uma entrada fulgurante na cena política, animada por uma retórica pujante, se foi apagando com o processo de ajustamento estrutural da economia espanhola e dos seus efeitos no Ensino Superior, aguardando o momento da próxima remodelação governamental para passar a pasta.

Por outro lado, parece óbvio que a consciência de um espaço ibero-americano de ensino superior e de ciência é hoje uma realidade e faz parte das estratégias de cooperação, de investigação, de ensino e de mobilidade das instituições do espaço ibero-americano. É certo que é um espaço incipiente, com uma agenda ainda muito indefinida, marcada, em vários planos, pela hegemonia espanhola, mas não deixa de ser um espaço de emergência e de crescimento de oportunidades. Emilio Botín, que estrategicamente marcou o terceiro encontro para o Brasil, anunciando expressiva e habilmente que gostaria de ter Lula da Silva nesse encontro, é uma peça-chave deste puzzle. A sua Universidade não é seguramente aquela que muitos académicos desejam - não por ser Botín ou o Santander, mas por aquilo que a relação simboliza em termos da transformação da Universidade -, mas o sonho que 1000 Botíns floresçam tomou conta da agenda de quem governa as instituições de Ensino Superior no espaço ibero-americano.   

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