Painel Os docentes e o investigadores face à nova organização da gestão - Resumo

Da intervenção do colega
José Matos Pereira

Numa referência às alterações que nos últimos cinco anos não têm sido controladas pelos sindicatos, Matos Pereira deixou-nos uma visão clara da existência de diversas redes que influenciam, ou mesmo condicionam as decisões que são tomadas, pelo menos aparentemente, pelas instituições de ensino superior públicas (IESP). Redes horizontais e verticais, formais e informais e mesmo transversais, tal como delas ademais o colega faz menção no seu livro lançado na véspera com o patrocínio do nosso sindicato - O Ensino Superior em Transição. Numa análise profunda, mormente pelo dissecar dos estatutos das IESP, Matos Pereira revela aspectos não facilmente percebidos da identidade das mesmas, bem como da sua identidade e visão, num ensino superior claramente em transição.

 

Da intervenção do colega
Rui Santiago

Numa visão brilhante do manegerialismo que trespassa os estados da Europa e do mundo, desde a saúde à educação, Rui Santiago apresentou dados esclarecedores da empresarialização das clássicas funções do Estado. O Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior ficou aliás marcado por esta influência da nova gestão pública. Do contexto das reformas do sector público e do ensino superior emergem conceitos como "utilidade" e "escolha racional", a reflectir que o "mercado" foi eleito como modelo ideal para prossecução do interesse público, a que se associam as ideias de "concorrência" e "empresa". Consequentemente, cada IESP, face a este regime normativo do "eu interessado", desenvolve acções que considera úteis face à sua representação do que se passa no mundo, sendo dessa forma que interage com as demais. Destarte, as acções da academia emergem como produtos comercializáveis, ao questionar-se "que investigação" e que "ensino" deve fazer-se, em função das exigências do mercado.  Na análise deste "capitalismo académico", bem ilustrado no outsourcing que trespassa as Universidades e Politécnicos, Rui Santiago deixou-nos uma visão límpida dos riscos da emergência do capitalismo do conhecimento e da aprendizagem, que, referiu, redundará numa proletarização da profissão. Nesta, a concorrência reflectir-se-á no desempenho, na desmotivação, no assédio moral, na pressão psicológica, que inexoravelmente marcará também o ensino.

 

Da intervenção do colega
Nuno Ivo Gonçalves

Ivo Gonçalves deixou-nos uma imagem do percurso que tem sido assumido pelas instituições de ensino superior públicas no que concerne à definição dos regulamentos de avaliação do pessoal docente. Perceberam-se as intenções, as dificuldades e os desvios de rumo das instituições. Algumas, claramente a procurarem criar regulamentos mais de constrangimento do que de incentivo, numa assunção de normativos ilegais. Ficamos com a percepção de quem são os relatores dos regulamentos e, bem assim, de que há um conjunto de tipologias aos mesmos subjacentes. Percebeu-se que nem todas as instituições interiorizaram o sentido e alcance do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior no que concerne à audição dos sindicatos, bem como o papel que o SNESup tem assumido de clara colaboração na definição dos regulamentos de avaliação do pessoal docente.

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