Um critério discutível

A carreira de professor titular, tal com o foi implementada pelo governo, constitui possivelmente a perda maior, em décadas, de uma oportunidade para melhorar o nosso sistema de ensino.

Muitos como eu observam que o nível dos nossos alunos baixa de ano para ano, com programas e exames nacionais cada vez mais facilitados. Isto acontece porque diversos  governos têm contribuído para piorar o nosso sistema educativo. Dantes os professores eram formados em cursos de cinco anos, mas um governo baixou os cursos para três anos. Houve outro governo que, para os professores serem promovidos, obrigou-os a tirar acções de formação que não tinham nada a ver com as especialidades que leccionavam, por exemplo um professor de português poderia ser promovido com um curso de mergulho ou de bordados.

A última inovação, esta da responsabilidade do presente governo, foi a criação da categoria de professor titular. Como foram os professores titulares promovidos a esta categoria? Foram promovido os professores que já estavam nos últimos escalões e que também tivessem suficiente currículo em cargos de gestão. E ainda, deverão ser estes professores titulares a avaliar os outros professores, conforme o sistema de avaliação de professores tão propagandeado pelo governo. A forma como este processo decorreu representa um retrocesso para quem gostaria de elevar o nível científico do nosso sistema de ensino.

Isto porque em muitos outros países cada professor titular, ou equivalente como o professor agregado em França, teve de passar concursos nacionais muito exigentes que premeiam o mérito científico e que exigem um estudo árduo e profundo. Se o governo não tem meios ainda para criar um concurso nacional, o governo poderia requerer aos professores que pretendessem passar a titulares que fizessem um doutoramento.

Em suma, a criação desta categoria de professor titular, na qual o governo alicerça a sua política da avaliação dos professores, mas que ignora o mérito científico e premeia a burocracia, não passa de um enorme desperdício.


Pedro Bicudo
Professor,
Instituto Superior Técnico,
Lisboa

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