Reorganização da rede de Ensino Superior e financiamento

Resultados de um inquérito promovido pelo SNESup

Joaquim Sande Silva
Instituto Politécnico de Coimbra – ESAC

Paulo Peixoto
Universidade de Coimbra – CES/FEUC

O inquérito cujos resultados aqui se apresentam foi lançado pelo SNESUP no sentido de promover a participação ativa dos docentes e investigadores na discussão sobre “As Linhas de Reforma do Ensino Superior” sugerida pelo Secretário de Estado do Ensino Superior. O SNESUP, no cumprimento da sua missão e procurando corresponder à necessidade de auscultação das partes envolvidas e de avaliação transversal das propostas, considerou importante dispor de informação sobre o sentir daqueles que poderão vir a ser mais afetados por eventuais alterações estruturais no Ensino Superior Português. Deste modo espera-se contribuir para que as possíveis decisões a tomar possam respeitar tanto quanto possível a opinião dos docentes e investigadores.

Dado o curto prazo que foi dado pela tutela para esta discussão, o inquérito teve que ser elaborado e divulgado num prazo igualmente curto. Este facto impediu uma auscultação prévia sobre as dimensões de inquirição, não permitiu a realização de um pré-teste para recolha de sugestões e fez com que nem todas as questões pertinentes tivessem sido incluídas no questionário. No entanto, consideramos que o balanço da iniciativa foi francamente positivo, dado que houve uma adesão muito significativa, o que revela o interesse da comunidade de docentes e investigadores por este tema.

Em termos de estrutura, este texto, que reproduz grande parte do relatório já divulgado no site, inclui uma secção onde se descreve a metodologia adotada e uma segunda onde se apresentam os resultados. Estes, apresentados de forma descritiva e sob a forma de gráficos e tabelas, encontram-se divididos em Resultados a nível nacional e Resultados a nível regional. O presente texto apresenta-se essencialmente como um documento de caráter técnico, pelo que não são tecidas quaisquer considerações que envolvam um juízo de valor sobre os diferentes temas e questões. Na verdade constata-se que muitas das questões abordadas não são de forma alguma consensuais entre a comunidade de docentes e investigadores. Por esse motivo limitamo-nos a apresentar os resultados obtidos, sem qualquer observação que possa enviesar a sua interpretação.

 

Resultados do inquérito

CARACTERIZAÇÃO DO UNIVERSO DE RESPONDENTES

O inquérito cujos resultados aqui se apresentam foi lançado pelo SNESUP no sentido de promover a participação ativa dos docentes e investigadores na discussão sobre “As Linhas de Reforma do Ensino Superior” sugerida pelo Secretário de Estado do Ensino Superior. O SNESUP, no cumprimento da sua missão e procurando corresponder à necessidade de auscultação das partes envolvidas e de avaliação transversal das propostas, considerou importante dispor de informação sobre o sentir daqueles que poderão vir a ser mais afetados por eventuais alterações estruturais no Ensino Superior Português. Deste modo espera-se contribuir para que as possíveis decisões a tomar possam respeitar tanto quanto possível a opinião dos docentes e investigadores.

Dado o curto prazo que foi dado pela tutela para esta discussão, o inquérito teve que ser elaborado e divulgado num prazo igualmente curto. Este facto impediu uma auscultação prévia sobre as dimensões de inquirição, não permitiu a realização de um pré-teste para recolha de sugestões e fez com que nem todas as questões pertinentes tivessem sido incluídas no questionário. No entanto, consideramos que o balanço da iniciativa foi francamente positivo, dado que houve uma adesão muito significativa, o que revela o interesse da comunidade de docentes e investigadores por este tema.

Em termos de estrutura, este texto, que reproduz grande parte do relatório já divulgado no site, inclui uma secção onde se descreve a metodologia adotada e uma segunda onde se apresentam os resultados. Estes, apresentados de forma descritiva e sob a forma de gráficos e tabelas, encontram-se divididos em Resultados a nível nacional e Resultados a nível regional.

O presente texto apresenta-se essencialmente como um documento de carácter técnico, pelo que não são tecidas quaisquer considerações que envolvam um juízo de valor sobre os diferentes temas e questões. Na verdade constata-se que muitas das questões abordadas não são de forma alguma consensuais entre a comunidade de docentes e investigadores. Por esse motivo limitamo-nos a apresentar os resultados obtidos, sem qualquer observação que possa enviesar a sua interpretação. O inquérito teve a participação de 3609 respondentes. De entre estes, houve 865 que apenas responderam a uma ou mais questões (de um grupo de 10) no início do inquérito destinadas a caracterizar o respondente. Dos 3590 que indicaram o subsistema onde trabalham, 56,2% pertenciam ao E S universitário e 43,8% ao E S politécnico.

No Ensino Superior Universitário houve 1812 respondentes que prestaram informações sobre a sua categoria, dos quais 61,8% eram professores auxiliares, 16,6% eram professores associados, 9,0% eram professores catedráticos, 7,4% eram leitores/assistentes/ monitores e 5.2% eram investigadores. No Ensino Superior Politécnico houve 1399 respondentes que prestaram informações sobre a sua categoria, dos quais 62,2% eram professores adjuntos, 23,3% eram assistentes, 14,0% eram professores coordenadores e 0.5% eram investigadores.

Num total de 3165 respondentes que quiseram prestar essa informação, 17,6% encontrava-se na categoria atual há dois anos ou menos e cerca de 60,8% encontrava-se na categoria atual há 5 anos ou mais.

Num total de 3207 respondentes que quiseram prestar essa informação, 16,3% eram docentes ou investigadores há 10 anos ou menos e 38,4% eram docentes ou investigadores há 20 anos ou mais.

Dos 3206 respondentes que quiseram prestar essa informação, 31.6% era sócio do SNESUP.

 

RESULTADOS A NÍVEL NACIONAL

Questão 11

Concorda com a reorganização da rede de Instituições de Ensino Superior?

Dos 2721 respondentes a esta questão, 69,3% concordam com a reorganização da rede a nível nacional e 30,7% não concordam. As respostas positivas (Figura 1) foram superiores no Ensino Superior Universitário (71,9%) relativamente ao Ensino Superior Politécnico (66,3%) existindo uma relação de dependência estatística entre as respostas e o subsistema (p=0.002).

Discriminando as respostas de acordo com as categorias dos respondentes do Ensino Superior Universitário, (n=1421 respostas) verificou-se que 75,8% dos professores catedráticos, 77,6% dos professores associados 71,4% dos professores auxiliares, 58,1% dos leitores/assistentes/monitores e 66,1% dos investigadores concordam com a reorganização da rede a nível nacional (Figura 2). A relação de dependência entre categorias e respostas foi estatisticamente significativa (p=0.006). No Ensino Superior Politécnico (n=1202 respostas) (1) concordam com a reorganização 79,1% dos professores coordenadores, 67,0% dos professores adjuntos e 57,4% dos assistentes (Figura 3). A relação de dependência entre categorias e respostas foi estatisticamente significativa (p<0.001).

 

Questão 12

Concorda com a reorganização da rede de Instituições de Ensino Superior na sua região tomando como base a organização regional adotada no despacho com as regras para a abertura de vagas em 2013-14?

Dos 2620 respondentes a esta questão, 47.6% concordam com a reorganização da rede na sua região tal como proposta pela tutela e 52.4% não concordam. As respostas positivas (Figura 4) foram superiores no Ensino Superior Universitário (52.7%) relativamente ao Ensino Superior Politécnico (47,3%) existindo uma relação significativa de dependência entre o tipo de resposta e o subsistema dos respondentes (p<0.001).

Discriminando as respostas de acordo com as categorias dos respondentes do Ensino Superior Universitário (n=1348 respostas), verificou-se que 47,8% dos professores catedráticos, 55,3% dos professores associados 53,1% dos professores auxiliares, 49,4% dos leitores/assistentes/monitores e 51,9% dos investigadores concordam com a reorganização nos moldes apresentados (Figura 5). A relação de dependência entre categorias e respostas não foi significativa. No Ensino Superior Politécnico (n=1175 respostas) concordam com a reorganização 52,6% dos professores coordenadores, 41,7% dos professores dos professores adjuntos e 35,4% dos assistentes (Figura 6). A relação de dependência entre categorias e respostas foi significativa (p=0.002).

 

Questão 13

Concorda com a reorganização da rede de Instituições de Ensino Superior na sua região, mas de acordo com outra organização territorial / institucional?

Dos 1440 respondentes a esta questão2, 54,6% concordam com a reorganização da rede na sua região de acordo com outra organização territorial e 45,4% não concordam. As respostas positivas (Figura 7) foram inferiores no Ensino Superior Universitário (46,7%) relativamente ao Ensino Superior Politécnico (53,7%) mas não existiu nenhuma relação significativa de dependência entre o tipo de resposta e o subsistema dos respondentes.

Discriminando as respostas de acordo com as categorias dos respondentes do Ensino Superior Universitário (n=682 respostas), verificou-se que 60,6% dos professores catedráticos, 61,9% dos professores asso- ciados, 52,2% dos professores auxiliares, 27,7% dos leitores/assistentes/monitores e 29,6% dos investigadores concordam com a reorganização nos moldes apresentados (Figura 8). A relação de dependência entre categorias e respostas foi significativa (p<0.001). No Ensino Superior Politécnico (n=704 respostas) 61,9% dos professores coordenadores, 61,2% dos professores dos professores adjuntos, 45,8% dos assistentes concordam com a reorganização da rede de acordo com outra organização territorial (Figura 9). A relação de dependência entre categorias e respostas foi significativa (p=0.001).

 

Questão 15

Que modelos de associação ou cooperação (pode escolher mais que um)?
- Fusão;
- Integração;
- Consórcio;
- Outras formas de associação ou cooperação.

É importante ter em conta que esta questão apenas esteve disponível para os respondentes que responderam afirmativamente à Questão 13 (“Concorda com a reorganização da rede de Instituições de Ensino Superior? Na sua região, mas de acordo com outra organização territorial / institucional”). Dos 722 respondentes a esta questão, 15,1% escolheram mais que um modelo de associação. De todos os modelos escolhidos, a Fusão representou 13,1%, a Integração representou 17,7%, o Consórcio representou 57,4% e Outras formas de associação ou cooperação, representou 11,8% (Figura 10). Não se verificou qualquer relação de dependência entre as escolhas e o subsistema nem entre as escolhas e as categorias dos respondentes.

 

Questão 16

Concorda com a constituição de órgãos regionais para coordenação da rede e da oferta formativa?

Dos 2527 respondentes a esta questão, 50,2% concordam com a constituição de órgãos regionais para a coordenação da oferta formativa e 49,8% não concordam. As percentagens de concordância (Figura 11) foram superiores no Ensino Superior Universitário (52,0%) relativamente ao Ensino Superior Politécnico (48,1%) mas a relação de dependência entre o tipo de resposta e o subsistema dos respondentes não se revelou estatisticamente significativa.

Discriminando as respostas de acordo com as categorias dos respondentes do Ensino Superior Universitário (n=1328 respostas), verificou-se que 60,3% dos professores catedráticos, 52,4% dos professores associados, 52,1% dos professores auxiliares, 44,2% dos leitores/assistentes/ monitores e 50,9% dos investigadores responderam afirmativamente, mas a relação de dependência entre categorias e respostas não foi significativa (Figura 12). No Ensino Superior Politécnico (n=1113 respostas) 53,7% dos professores coordenadores, 49,1% dos professores dos professores adjuntos e 42,9% dos assistentes responderam afirmativamente mas a relação de dependência entre categorias e respostas não se revelou estatisticamente significativa (Figura 13).

 

Questão 18

Concorda com a necessidade de reestruturar o funcionamento das Instituições de Ensino Superior em termos gerais?

Dos 2410 respondentes a esta questão, 73,6% concordam, 8,6% não concordam e 17,8 afirmou não saber/não ter a certeza. A percentagem de respostas positivas (Figura 14) foi semelhante entre o Ensino Superior Universitário (72,4%) e o Ensino Superior Politécnico (75,0%) e consequentemente a relação de dependência entre o tipo de resposta e o subsistema dos respondentes não se revelou estatisticamente significativa.

Discriminando as respostas de acordo com as categorias dos respondentes do Ensino Superior Universitário (n=1263 respostas), verificou-se que 81,4% dos professores catedráticos, 77,4% dos professores associados 70,1% dos professores auxiliares, 67,1% dos leitores/assistentes/ monitores e 79,6% dos investigadores responderam afirmativamente (Figura 15). A relação de dependência entre categorias e respostas foi significativa (p<0.043)3. No Ensino Superior Politécnico (n=1061 respostas) 81,7% dos professores coordenadores, 75,2% dos professores adjuntos e 72,3% dos assistentes responderam afirmativamente (Figura 16), existindo uma relação significativa de dependência entre categorias e respostas (p<0.037).

 

Questão 19

Relativamente a que aspetos?
-Número de ciclos de estudo ministrados
-Tipo de ciclos de estudo ministrados;
-Qualificação dos docentes para cada tipo de ciclo de estudos;
-Outros aspetos.

Dos 1698 respondentes a esta questão, 70,8% escolheram mais que um aspeto. Considerando o universo dos que responderam afirmativamente à Questão 18, o Número de ciclos de estudo ministrados foi escolhido por 61,9% dos respondentes, o Tipo de ciclos de estudo foi escolhido por 71,1%, a Qualificação dos docentes para cada tipo de ciclo de estudos foi escolhido por 47,0% e a opção Outros aspectos foi escolhida por 22,4% (Figura 17). Não se verificou qualquer relação de dependência entre as escolhas e o subsistema nem entre as escolhas e as categorias dos respondentes.

 

Questão 20

Concorda com a necessidade de reestruturar o funcionamento das Instituições de Ensino Superior no caso concreto do seu subsistema?

Dos 2330 respondentes a esta questão, 63,1% concordam 17,3% não concordam e 19,6 afirmou não saber/não ter a certeza. A percentagem de respostas positivas (Figura 18) foi menor no Ensino Superior Universitário (59,2%) que no Ensino Superior Politécnico (67,7%). Existindo uma relação de dependência significativa entre o tipo de resposta e o subsistema dos respondentes (p<0.001).

Discriminando as respostas de acordo com as categorias dos respondentes do Ensino Superior Universitário (n=1221 respostas), verificou-se que 66,1% dos professores catedráticos, 63,5% dos professores associados 56,8% dos professores auxiliares, 55,3% dos leitores/assistentes/ monitores e 74,6% dos investigadores responderam afirmativamente (Figura 19). A relação de dependência entre categorias e respostas não foi significativa. No Ensino Superior Politécnico (n=1026 respostas) 76,8% dos professores coordenadores, 67,6%% dos professores adjuntos e 64,3% dos assistentes respondeu afirmativamente (Figura 20), existindo uma relação significativa de dependência entre categorias e respostas (p<0.008).

 

Questão 21

Relativamente a que aspetos?
-Número de ciclos de estudo ministrados;
-Tipo de ciclos de estudo ministrados;
-Qualificação dos docentes para cada tipo de ciclo de estudos;
-Outros aspetos.

Dos 1414 respondentes a esta questão, 69,0% escolheram mais que um aspeto. Considerando o universo das respostas afirmativas à Questão 20, o Número de ciclos de estudo ministrados foi escolhido por 61,1% respondentes, o Tipo de ciclos de estudo foi escolhido por 69,1%, a Qualificação dos docentes para cada tipo de ciclo de estudos foi escolhida por 47,9% e a opção Outros aspectos foi escolhida por 20,9% (Figura 21). Não se verificou qualquer relação de dependência entre as escolhas e o subsistema nem entre as escolhas e as categorias dos respondentes.

 

Questão 22

Concorda com a necessidade de reestruturar o funcionamento das Instituições de Ensino Superior no caso concreto da sua instituição?

Dos 2280 respondentes a esta questão, 60,6% concordam 22,1% não concordam e 17,3 afirmou não saber/não ter a certeza. A percentagem de respostas positivas (Figura 22) foi menor no Ensino Superior Universitário (57,9%) que no Ensino Superior Politécnico (63,8%). Existindo uma relação de dependência significativa entre o tipo de resposta e o subsistema dos respondentes (p=0.016).

Discriminando as respostas de acordo com as categorias dos respondentes do Ensino Superior Universitário (n=1189 respostas), verificou-se que 66,0% dos professores catedráticos, 59,5% dos professores associados 56,6% dos professores auxiliares, 50,7% dos leitores/assistentes/monitores e 69,0% dos investigadores responderam afirmativamente (Figura 23). A relação de dependência entre categorias e respostas não foi significativa. No Ensino Superior Politécnico (n=1009 respostas) 69,9% dos professores coordenadores, 64,4%% dos professores adjuntos e 59,8% dos assistentes respondeu afirmativamente (Figura 24), não existindo uma relação significativa de dependência entre categorias e respostas.

 

Questão 23

Relativamente a que aspetos?
-Número de ciclos de estudo ministrados;
-Tipo de ciclos de estudo ministrados;
-Outros ciclos de estudo que poderiam ser lecionados;
-Outros aspetos.

Dos 1319 respondentes a esta questão, 64,7% escolheram mais que um aspeto. De entre os que responderam afirmativamente à Questão 22, o Número de ciclos de estudo ministrados foi escolhido por 56,7% dos respondentes, o Tipo de ciclos de estudo foi escolhido por 63,1%, a opção Outros ciclos de estudos foi escolhida por 51,5% e a opção Outros aspetos foi escolhida por 23,6% (Figura 25 – dados descriminados por subsistema). Neste caso verificou-se uma relação de dependência estatisticamente significativa entre as escolhas e o subsistema (p=0,030) mas não entre as escolhas e as categorias dos respondentes.

 

Questão 25

Concorda com a atual divisão binária do Ensino Superior (entre Universitário e Politécnico)?

Dos 2253 respondentes a esta questão 68,3% concordam e 31,7% não concordam com a divisão binária no Ensino Superior. A percentagem de respostas concordantes (Figura 26) foi maior no Ensino Superior Universitário (75,7%) que no Ensino Superior Politécnico (59,9%). Existindo uma relação de dependência significativa entre o tipo de resposta e o subsistema dos respondentes (p<0.001).

Discriminando as respostas de acordo com as categorias dos respondentes do Ensino Superior Universitário (n=1170 respostas), verificou-se que 82,9% dos professores catedráticos, 72,9% dos professores associados, 75,3% dos professores auxiliares, 76,7% dos leitores/ assistentes/monitores e 67,3% dos investigadores responderam afirmativamente (Figura 27). A relação de dependência entre categorias e respostas não foi significativa. No Ensino Superior Politécnico (n=1003 respostas) 43,2% dos professores coordenadores, 61,6% dos professores adjuntos e 66,0% dos assistentes respondeu afirmativamente (Figura 28), existindo uma relação significativa de dependência entre as categorias e as respostas (p<0.001).

 

Questão 26

Se sim, essa divisão deverá diferenciar?
-Universidades e Institutos Politécnicos;
-Unidades orgânicas;
-Órgãos e cargos;
-Oferta formativa;
-Carreiras docentes.

Dos 1505 respondentes a esta questão, 54,2% escolheram mais que um aspeto. Tomando como base o universo de respostas afirmativas à Questão 25, a divisão entre Universidades e Institutos Politécnicos (tal como existe atualmente) foi escolhida por 84,6% desses respondentes, a diferenciação por Unidades orgânicas foi assinalada por 17,6%, a diferenciação de Órgãos e cargos foi assinalada por 9,2%, a diferenciação da Oferta formativa foi assinalada por 53,2%, a diferenciação das carreiras foi assinalada por 30,9% e 4,1% sugeriram em resposta aberta, Outras diferenciações. Não se verificou qualquer relação de dependência entre as escolhas e as categorias dos respondentes. No entanto (Figura 29 – dados descriminados por subsistema), verificou-se uma relação significativa entre as escolhas e o subsistema dos respondentes (p=0.043).

 

Questão 27

Entende necessário alterar o atual modelo de financiamento das instituições?

Dos 2300 respondentes a esta questão 67,1% responderam afirmativamente, 7,6% responderam negativamente e 25,3% não sabe/não tem a certeza. A percentagem de respostas positivas (Figura 30) foi semelhante no Ensino Superior Universitário (66,2%) e no Ensino Superior Politécnico (68,1%) não existindo por isso nenhuma relação significativa de dependência entre o tipo de resposta e o subsistema dos respondentes.

Discriminando as respostas de acordo com as categorias dos respondentes do Ensino Superior Universitário (n=1199 respostas), verificou-se que 77,1% dos professores catedráticos, 69,5% dos professores associados, 60,5% dos professores auxiliares, 76,0% dos leitores/assistentes/monitores e 83,0% dos investigadores responderam afirmativamente (Figura 31). A relação de dependência entre categorias e respostas foi significativa (p=0.010). No Ensino Superior Politécnico (n=1015 respostas) 76.7% dos professores coordenadores, 66,5% dos professores adjuntos e 68,5% dos assistentes respondeu afirmativamente (Figura 32), não existindo uma relação significativa de dependência entre as categorias e as respostas.

 

Questão 28

Que indicadores deverão ser privilegiados no financiamento das instituições de Ensino Superior?
-Qualificação do corpo docente;
-Número de alunos;
-Número de docentes;
-Número de ciclos de estudos ministrados;
-Tipo de ciclos de estudos ministrados;
-Captação de receitas próprias;
-Outros.

Dos 1543 respondentes a esta questão, 93,4% escolheram mais que um indicador. Tomando como base o universo dos que responderam afirmativamente à Questão 27, 79,7% dos respondentes assinalaram a Qualificação do corpo docente, 72,7% assinalaram o Número de alunos, 41,7% assinalaram o Número de docentes, 51,2% assinalaram o Número de ciclos de estudo, 65,5% assinalaram o Tipo de ciclos de estudos ministrados, 51,2% assinalaram a Captação de receitas próprias e 21,6% assinalaram Outros indicadores (Figura 33). Não se verificou qualquer relação estatisticamente significativa de dependência entre as escolhas e o subsistema nem entre as escolhas e a categoria dos respondentes.

 

Questão 29

Deverá existir uma diferenciação a nível do financiamento entre subsistemas Universitário e Politécnico?

Dos 2247 respondentes a esta questão 26,5% responderam afirmativamente, 47,5% responderam negativamente e 25,9% não sabe/não tem a certeza (Figura 34). A percentagem de respostas a favor da diferenciação foi maior no Ensino Superior Universitário (39,4%) que no Ensino Superior Politécnico (11,7%), existindo uma relação significativa de dependência entre o tipo de resposta e o subsistema dos respondentes (p<0.001).

Discriminando as respostas de acordo com as categorias dos respondentes do Ensino Superior Universitário (n=1168 respostas), verificou-se que 52,9% dos professores catedráticos, 40,0% dos professores associados, 39,6% dos professores auxiliares, 25,7% dos leitores/ assistentes/monitores e 32,7% dos investigadores responderam afirmativamente (Figura 35). A relação de dependência entre categorias e respostas foi significativa (p=0.004). No Ensino Superior Politécnico (n=998 respostas) 6,2% dos professores coordenadores, 11,3% dos professores adjuntos e 15,1% dos assistentes posicionou-se a favor da diferenciação (Figura 36), existindo uma relação significativa de dependência entre as categorias e as respostas (p=0.025).

 

RESULTADOS A NÍVEL REGIONAL

Questão 11

Concorda com a reorganização da rede de Instituições de Ensino Superior a nível nacional?

De entre os 2721 respondentes a esta questão, 22,0% eram de instituições da região Lisboa/Setúbal4, 16,1% do Porto, 11,0% de Coimbra e 8,7% da Estremadura, tendo os respondentes das instituições insulares (com 1,4% cada um) um peso menor na amostra.

Para um total de respostas afirmativas correspondente a 69,3%, os respondentes das instituições açorianas registam o nível de concordância mais elevado (85%) seguindo-se os de instituições do Alentejo (73,2%) e os de instituições da região Lisboa/Setúbal (72,3%). As instituições com os níveis mais baixos de concordância, foram as da região Minho (62,6%), as do Porto (64%) e as da região Beira Litoral (66,1%), (Figura 37). A estes resultados não é alheio o facto de a composição dos dois subsistemas ser diferente em cada região. Analisando este factor verificou-se a existência de uma dependência estatisticamente significativa entre o subsistema e as respostas, no caso das regiões de Coimbra (p=0,016) e de Lisboa (p<0,001), assinaladas na Figura 37 com um asterisco.

 

Questão 12

Concorda com a reorganização da rede de Instituições de Ensino Superior na sua região tomando como base a organização regional adotada no despacho com as regras para a abertura de vagas em 2013-14?

De entre os 2620 respondentes a esta questão, 21,5% eram de instituições da região Lisboa/Setúbal, 16,1% do Porto, 11,3% de Coimbra e 9,0% da Estremadura, tendo os respondentes das instituições insulares (Açores 1,3% e 1,0% Madeira) um peso menor na amostra.

Para um total de respostas afirmativas correspondente a 47,6%, os respondentes do Algarve registam o nível de concordância mais elevado (63,5%) seguindo-se os da Madeira (59,3%) e os de instituições da região Beira Interior (51,9%). Todas as outras regiões apresentaram valores inferiores ou iguais a 50%. As regiões com os níveis mais baixos de concordância foram o Alentejo (38,7%), Trás-os-Montes (42,3%) e a Beira Litoral (44,8%), (Figura 38). Analisando o factor subsistema para cada região verificou-se a existência de uma dependência estatisticamente significativa entre o subsistema e as respostas, no caso das regiões da Beira Interior (p=0,030) Beira Litoral (p<0,001), Lisboa (p<0,001) e Minho (p=0,033), assinaladas na Figura 38 com um asterisco. Em todas estas regiões o subsistema Politécnico registou níveis de concordância mais baixos que o subsistema Universitário.

 

Questão 13

Concorda com a reorganização da rede de Instituições de Ensino Superior na sua região, mas de acordo com outra organização territorial/institucional?

De entre os 1440 respondentes a esta questão, 22,2% eram de instituições da região Lisboa/Setúbal, 16,5% do Porto, 10,5% de Coimbra e 9,0% da Estremadura, tendo os respondentes das instituições insulares (Açores 1,4% e Madeira 0,9%) o menor peso na amostra.

Para um total de respostas afirmativas correspondente a 54,6%, os respondentes do Alentejo registam o nível de concordância mais elevando (75,6%) seguindo-se os da região Lisboa/Setúbal (58,1%) e os região Estremadura (57,4%). As regiões com os níveis mais baixos de concordância, foram o Algarve (36,6%), o Minho (44,6%) e a Beira Litoral (49,6%), (Figura 39). Analisando o factor subsistema para cada região, verificou-se a existência de uma dependência estatisticamente significativa entre o subsistema e as respostas, apenas no caso da região do Minho (p=0,026), assinalada na Figura 39 com um asterisco. Nesta região o subsistema Politécnico registou níveis de concordância mais elevados que o subsistema Universitário.

É importante analisar as questões 11-13 em conjunto no que toca à percentagem de respostas afirmativas às 3 questões (Figura 40). De um modo geral a a reestruturação da rede merece uma aprovação bastante acima de 50% mas o mesmo não se passa com a reorganização territorial sugerida em despacho pela tutela. As duas regiões com um comportamento mais atípico parecem ser o Alentejo e o Algarve. No Alentejo, região onde o grau de concordância com a proposta de reestruturação da rede para a região é o mais baixo de todos, o sentimento de que é necessário reorganizar a rede mas com base em outra reorganização territorial é muito elevado. No Algarve, região que não foi abrangida pelo despacho, a situação é inversa à do Alentejo: ou seja, a proposta de reestruturação da rede para a região regista o mais elevado dos graus de concordância e o sentimento de que é necessário reorganizar a rede mas com base em outra reorganização territorial é o mais baixo.

Tal como vimos anteriormente os resultados por subsistema de ensino registam diferenças significativas. A concordância com a necessidade de reorganização da rede a nível nacional, exceção feita ao Alentejo, tende a ser mais elevada no subsistema Universitário. O grau de concordância com a proposta de reestruturação da rede para a região segue o mesmo padrão, mas regista mais exceções e diferenças. Sobretudo na Beira Litoral, em Lisboa/Setúbal, no Minho/Ave e na Beira Interior verifica-se uma nítida propensão dos docentes oriundos do Politécnico para manifestarem níveis mais baixos de concordância com a proposta de reestruturação sugerida para a região. Já a convicção de que é necessário reorganizar a rede mas com base em outra reorganização territorial é claramente mais expressiva (registando diferenças de mais de 10 pontos percentuais) entre os docentes do Politécnico, que entre os docentes das Universidades para as regiões de Minho/Ave, Alentejo e Beira Litoral. Pelo contrário em Trás-os-Montes verifica-se uma diferença de 17.1% entre os dois subsistemas mas em sentido inverso, ou seja com maior concordância por parte dos docentes do subsistema Universitário.

 

Questão 14

Na sua região, quais as instituições que deveria envolver?

De entre os respondentes que responderam afirmativamente à pergunta 13, houve 517 que propuseram uma organização territorial alternativa, e que escolheram para essa organização territorial várias instituições de uma lista fornecida no questionário. A Tabela 1 Frequência absoluta de respostas à Questão 14 (ver texto explicativo). As linhas correspondem às instituições dos respondentes. As colunas correspondem às instituições escolhidas pelos respondentes para a reorganização na sua região reúne as escolhas (instituições escolhidas, em colunas) feitas pelos respondentes (cada instituição de origem das respostas corresponde a uma linha), num total de 1262 escolhas. Destas escolhas removemos aquelas relativas à instituição do próprio respondente (células a cinzento), partindo do pressuposto que cada respondente escolheu outras instituições para integrar a região da sua própria instituição. Por outro lado nem todos os respondentes optaram por incluir a sua própria instituição. Para melhor visualização das preferências dos respondentes de cada instituição, cada célula com valores tem associada uma cor, mais carregada quanto maior o valor relativo, dentro do intervalo de valores de cada linha. As instituições dos respondentes (linhas) e as instituições escolhidas por cada respondente (colunas) encontram-se agrupadas de acordo com as regiões definidas pela tutela no despacho sobre a abertura de vagas, sendo que a intersecção entre linhas e colunas e delimitada para a mesma região, por uma linha a tracejado. Deste modo é possível perceber se as escolhas dos respondentes se localizaram ou não preferencialmente dentro da região definida pela tutela, ou se os respondentes optaram por instituições localizadas fora da sua região. Devemos referir que estes dados devem ser relativizados, uma vez que não foi possível aferir, através da aplicação de questionário, se os respondentes conheciam de facto a proposta de reestruturação contemplada em despacho. Por outro lado, o grau de discordância expresso na Questão 12 relativamente à proposta de reorganização territorial tanto pode ser discordante por defeito (abrangência territorial demasiado limitada), quanto por excesso (excessiva abrangência territorial). Podemos tomar como exemplo a região do Alentejo, cuja proposta sugeria uma área de coordenação regional que abrangesse os Institutos Politécnicos de Portalegre e de Beja mais a Universidade de Évora. Sendo o Alentejo a região onde mais se manifesta o sentimento de necessidade configuração de outra reorganização territorial, é sintomático que os respondentes que consideraram ser necessário reorganizar a rede com base noutra reorganização territorial tenham indicado como instituições a integrar a área de coordenação regional as três intituições contidas na proposta (34% das 145 escolhas dos respondentes do Alentejo). Os respondentes desta região escolheram ainda a Universidade do Algarve (18%), o Instituto Politécnico de Setúbal (12%), o Instituto Politécnico de Castelo Branco (8%), o Instituto Politécnico de Santarém (8%) e o Instituto Politécnico de Tomar (6%). Dois exemplos relevantes de rejeição das regiões propostas pela tutela são os casos da região Beira Litoral com apenas 16% de escolhas dentro da região (n=38 escolhas), e da região Trás-os-Montes, com apenas 15% de escolhas dentro da região (n=139 escolhas). Como exemplos contrários podemos apontar os casos das instituições da região Lisboa/ Setúbal com 72% de escolhas dentro da região (n=274 escolhas) e da região Porto com 50% de escolhas dentro da região (n=184 escolhas).

 

Questão 16

Concorda com a constituição de órgãos regionais para coordenação da rede e da oferta formativa?

De entre os 2527 respondentes a esta questão, 21,4% eram de instituições da região Lisboa/Setúbal, 15,9% do Porto, 11,2% de Coimbra e 9,0% da Estremadura, tendo os respondentes das instituições insulares (Açores 1,5% e Madeira 1,3%) o menor peso na amostra.

Para um total de respostas afirmativas correspondente a 50,2%, os respondentes do Algarve registam o nível de concordância mais elevando (60,6%) seguindo-se os da região Minho (55,4%) e os da região Porto (53,7%). As regiões com os níveis mais baixos de concordância foram Coimbra (44,5%), Beira Litoral (45,7%) e a Madeira (46,9%) (Figura 41).

Analisando o factor subsistema para cada região, verificou-se a existência de uma dependência estatisticamente significativa entre o subsistema e as respostas, apenas no caso da região do Porto (p=0,049), assinalada na Figura 41 com um asterisco. Nesta região o subsistema Politécnico registou níveis de concordância mais baixos que o subsistema Universitário.

 

Tabela 1
Frequência absoluta de respostas à Questão 14 (ver texto explicativo).
As linhas correspondem às instituições dos respondentes.
As colunas correspondem às instituições escolhidas pelos respondentes para a reorganização na sua região.

(1) O somatório de respostas analisadas não é igual ao total de respondentes a esta questão, porque nem todos os respondentes indicaram a categoria. Esta nota é válida para as outras questões onde foi feito o mesmo tipo de análise.


(2) Disponível só para quem, na questão 12, respondeu “Não” ou quem não respondeu.


(3) No entanto uma das frequências esperadas foi inferior a 5 (4,5) violando (de forma marginal) um dos pressupostos do teste de independência.


(4) Ver a composição de cada região na secção 2 – Metodologia (disponível no relatório final completo).

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