Comemorar para renovar

Paulo Peixoto
paulo.peixoto@snesup.pt

 

Há 25 anos atrás não estávamos cá. Nenhum dos atuais membros eleitos para os órgãos do SNESup esteve na fundação do sindicato. É verdade que 25 anos é muito tempo. Mas também é verdade que uma das principais limitações das associações sindicais é a incapacidade para se renovar. O SNESup tem conseguido essa renovação. E no momento em que celebra 25 anos, particularmente com a realização do seu IV Congresso, procurou reunir um conjunto de agentes e de reflexões que pudessem funcionar como instrumentos que ajudassem a promover a renovação da atividade sindical.

Neste número da Ensino Superior – Revista do SNESup, Gonçalo Leite Velho, Álvaro Borralho, Maria João Cebola, Romeu Videira e Alan Stoleroff relatam-nos, de forma resumida, as sessões de debate do IV Congresso do SNESup (designadamente, “O Futuro do Ensino Superior: Pensar os Próximos 25 Anos”; “O Financiamento do Ensino Superior: Modelos e Desafios”; “O Ensino Superior Privado: Dignidade e Qualidade”; “A Ciência e os Investigadores: Construir o Futuro”; e “O Sindicalismo no Ensino Superior e Investigação: Experiências Internacionais”).

Pedro Lourtie e Maria Luís Rocha Pinto, respetivamente Coordenador da Comissão instaladora e também primeiro Presidente da Direção e Membro da Comissão instaladora e primeira Vice-presidente da Direção, voltam ao momento da fundação do SNESup para contextualizar o surgimento do sindicato. Maria do Carmo Vieira crítica a “doce barbárie” da governação, salientando a importância da intervenção sindical enquanto fator de combate a esse fenómeno. José Mouraz Lopes debruça-se sobre a corrupção e os laços indisfarçáveis e comprometidos entre os poderes públicos e os poderes privados. Manuel Villaverde Cabral discute a mediática questão da quantidade de licenciados em Portugal, que nos leva a pensar se temos licenciados a mais ou se é a Alemanha que tem chanceleres a mais. Rui Nunes discute perspetivas para que o ensino superior se consolide e se reforce. José Moura Filho reflete sobre os desafios do sindicalismo no ensino superior brasileiro. Romeu Videira, Carlos Fiolhais e Paulo Peixoto (neste último caso na rubrica “Opinião”) abordam a política de terra queimada promovida pela atual equipa que lidera a FCT.

Trazemos ainda o olhar crítico e cultivado de Paulo Ferreira da Cunha no folhetim “Relatos do Bule”. Destacamos o projeto UC Digitalis, que visa projetar a ciência da Lusofonia no mundo e que reverbera uma cultura científica que vai muito para lá da cegueira e da arma política da avaliação que tomou conta da FCT. Como nos diz Rui Nunes no artigo que publicamos neste número é ao nível da língua portuguesa que se deve apostar fortemente. Se é verdade que a nossa pátria é a língua portuguesa, como sugere aliás Fernando Pessoa, então devemos acreditar na língua, nas suas múltiplas facetas identitárias, não apenas como instrumento de promoção da cultura portuguesa mas, também, como afirmação de Portugal no espaço da Lusofonia”.

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