Vem lá um ano muito difícil

Paulo Peixoto
paulo.peixoto@snesup.pt

No Ensino Superior, o novo ano letivo começa com os bons auspícios do aumento da procura, o que afasta o fantasma dos efeitos da crise. Isso bastaria para dizer que nem tudo é mau. Mas há ainda que esperar pela concretização das matrículas. E há que ver se o abandono não se agrava ao ponto de fazer esmorecer o sinal positivo que chega do lado do acesso. Seja como for, o reconhecimento do valor social do Ensino Superior em época de crise é evidente. Isto considerando as opções das famílias, já que as opções do governo, com o anúncio de mais cortes, vão claramente em sentido contrário.

Na investigação científica, se a política de apoios a projetos de pesquisa e à concessão de bolsas de doutoramento e de pós-doutoramento já vinham pronunciando dias difíceis, o processo de avaliação das unidades de investigação faz recear o pior. Está em causa o emagrecimento assumido do sistema científico nacional. Como sustento na coluna de Opinião deste número da Revista, a cultura da avaliação, que trouxe francas melhorias para o sistema científico nacional e para o ensino superior, está hoje posta em causa pela política de cortes e pelas medidas, ainda que evitáveis, que essa política permite legitimar.

Neste número da Ensino Superior – Revista do SNESup, Pedro Barrias analisa os primeiros anos de funcionamento das Universidades Fundacionais, questionando a nova gestão pública. Boaventura de Sousa Santos e Conceição Gomes, à luz do caso BES, insistem na necessidade de condenação nos casos de corrupção e de criminalidade económica, que é tendencialmente inexistente em Portugal.

Nessa esteira, Gonçalo M. Bandeira aborda a importância do ensino do direito penal-criminal enquanto matéria transversal que deveria preocupar a academia e a sociedade no esforço de promoção de valores éticos e morais. Paulo Ferreira da Cunha, no mesmo diapasão, dando conta da prostituição da política em baixa política e em politiquice, traz-nos a vida académica retratada de outra forma em mais um fascículo do folhetim Relatos do Bule ou Jacarandás no Inferno. Henrique Curado reflete, na secção jurídica, sobre carreiras e vínculos, discutindo a complexa relação entre a requalificação e o direito à vinculação.

Cabe ainda assinalar a importância que damos (puxando para a capa da Revista e para a secção Vida Sindical) à renovação do SNESup, por via de um processo eleitoral que ocorreu antes das férias. Tendo havido eleições para todos os órgãos, salientamos neste número da Revista as linhas orientadoras do Programa da nova Direção. Aos colegas que assumem o desafio de manter um sindicalismo independente e interventivo, e particularmente ao António Vicente, deixo votos de realização de um mandato produtivo. Sabendo das agruras que decorrem do exercício da atividade sindical, e do nível de cansaço que os docentes do ensino superior são obrigados a suportar nos dias que correm, é de registar a disponibilidade para o exercício de funções sindicais sem que daí decorram qualquer tipo de regalias.

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