Editorial

E agora, Ensino Superior?

 Professores exaustos e desmotivados pela falta de perspectivas de uma carreira com alto grau de exigência e com pouca recompensa pelo esforço exercido, clamam por melhores dias, enclausurados numa carreira em que investiram duramente durante anos e continuam sem ter as condições desejadas para desenvolver o seu trabalho de forma digna e dignificante.

Qualquer que seja o subsistema, universitário ou politécnico, público ou privado, as barreiras intransponíveis deparam-se-nos de forma sistemática, numa infindável e tormentosa via de destruição maciça dos princípios fundamentais da profissão nobre que é a docência no ensino superior. De pessoas dedicadas exclusivamente aos desígnios da investigação e do ensino inovador, passamos a equilibristas numa corda bamba sobre um lago de jacarés.

Os poucos que atingem os seus objectivos, quanto porfiaram para lá chegar e quanto terão que aguentar para de lá não cair? E os que ficam na fila de espera anos a fio, aguardando que abra uma vaga, algures? E os que, infelizmente, começam a ser dispensados, não por incompetência, mas porque as instituições não podem (e em alguns casos não querem) mantê-los, sem direito ao mínimo que qualquer trabalhador tem direito - o subsídio de desemprego. Para não falar das promessas que caíram em saco roto e dos acordos que continuam por cumprir (o acordo salarial de 1996).

A verdade é que os governos, governantes e ministros passam, os professores ficam, e cada vez com mais dificuldade de encontrar o rumo certo a seguir. Sempre que um novo ministro ou um novo secretário de Estado chega, existe uma expectativa inicial - SERÁ QUE É DESTA VEZ? Infelizmente, nos últimos tempos, após alguma boa vontade inicial, deparamos ou com uma total falta de respostas concretas às propostas do SNESup sobre questões tais como a necessidade de novo sistema de quadros de professores, o reforço da estabilidade contratual, a criação de condições para o desenvolvimento de investigação, ou com anteprojectos, cada um deles mais inaceitável que o anterior, que pretendem pura e simplesmente tornar a nossa carreira ainda mais precária, ou até retirar-nos o direito à carreira.

Poderemos ter esperança no novo executivo? A esperança é sempre a última a morrer. Os programas eleitorais divulgados foram cautelosos, não legitimam aventuras. A sensibilidade do sistema torna-as, aliás, de todo em todo desaconselháveis. Esperamos que as propostas que venham a ser avançadas tenham subjacente a compreensão da necessidade de busca de aspectos consensuais e de satisfação dos requisitos mínimos de dignidade que a docência e a investigação no ensino superior merecem.

Pela nossa parte teremos sempre FIRMEZA NOS PRINCÍPIOS... E NA ACÇÃO.

 Saudações académicas e sindicais,

 Pela Direcção de Ensino Superior - Revista do SNESup

 Jorge Morais

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