Reformas Bolonhesas

 

José Peixe
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Há uns tempos a esta parte que o ensino superior em Portugal tem vindo a sofrer uma autêntica revolução pós-moderna. Ou seja, o célebre e tão falado Processo de Bolonha parece que veio para ficar e promete pôr um ponto final na apelidada universidade tradicional e no ensino escolástico.

Segundo alguns entendidos nestas matérias, o Processo de Bolonha acaba por ser benéfico para Portugal, porque vai conseguir implementar alguma racionalidade no sistema de ensino superior, que na última década cresceu desmesuradamente e de forma caótica.

Para além de atribuir maiores responsabilidades académicas às universidades e institutos politécnicos, o Processo de Bolonha vai exigir maior transparência e internacionalização das instituições de ensino superior portuguesas. Também vai exigir mais do ponto de vista pedagógico aos docentes e uma maior dedicação por parte dos alunos.

E pelos vistos as reformas bolonhesas já se fazem sentir um pouco por todo o país. A maioria dos institutos politécnicos e das universidades portuguesas estão determinadas a não perderem a União Europeia de vista e já reformularam os seus currículos segundo os parâmetros europeus. É que o Processo de Bolonha também quer instituir um regime de equivalências e padrões de avaliação transparentes de modo a terminar com a manipulação que existe neste momento.

Mas não tenhamos apenas ilusões. O Processo de Bolonha não vai só introduzir reformas magníficas no ensino superior em Portugal. Também trás alguns dissabores negativos, transformando as universidades em verdadeiros centros de preparação de recursos humanos, o que de alguma forma pode ser prejudicial. Tal como escreveu Diogo Pires Aurélio, em meados de Março, no jornal "Diário de Notícias", "(...) Se não houver, em paralelo com esta reforma, uma política de estímulo à investigação nos vários domínios, corre-se o risco de ficar com um sistema racionalizado, mas que já pouco terá de superior e ainda menos de universitário". Se assim for, o Processo de Bolonha acabará por se transformar num verdadeiro fiasco para a própria União Europeia.

Esperemos que o diploma que foi promulgado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, no dia 20 de Março, possa contribuir efectivamente para que os estudantes universitários portugueses tenham menos dificuldades em encontrar emprego, possam ter maior mobilidade e competir com os seus congéneres europeus em igualdade de circunstâncias.

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