No Caminho da Evolução

Fundação Calouste Gulbenkian

Novos conceitos e poderosas ideias acompanharam o estabelecimento das sociedades modernas que hoje povoam a Europa, tais como o heliocentrismo (que Copérnico foi beber à Itália renascentista) implicando que o nosso planeta tenha uma origem comum - a poeira cósmica; o movimento uniforme como estado de equilíbrio no universo e não o do repouso (o princípio da relatividade de Galileu); a gravidade como explicação dos fenómenos nos céus e na Terra (a atracção universal de Newton); a origem comum das espécies vivas neste planeta (a teoria da evolução de Darwin); e a equivalência entre massa e energia que permitiu a Einstein unificar as causas e a dinâmica dos corpos em movimento.

Entre estes, aquele que provocou mais acesos e emocionados debates foi sem dúvida o da evolução dos seres vivos por selecção natural na luta pela sobrevivência. Perceberam as elites dirigentes, bem como os donos dos princípios éticos e morais da época, que a teoria de Charles Darwin vinha relegar para o infinito o último elo com o Além que ainda restava na natureza: o da origem divina dos seres humanos. Os conceitos de evolução, de transformação e de adaptação, mostram como a mudança é omnipresente em tudo o que se relaciona com a nossa realidade - nas suas três vertentes: a exterior, a social e a interior.

A investigação científica em biologia mostra igualmente como a evolução e a selecção dos seres vivos está a acontecer todos os dias, em todos os instantes. É, assim, fundamental que encaremos o mundo segundo uma perspectiva que acolha os ensinamentos da ciência. Só é possível mudar o mundo se mudarmos o modo como o olhamos - e tornarmos consequente essa mudança. É isso que fazem todos os povos que apostam no seu futuro.

A Fundação Calouste Gulbenkian vai por este motivo realizar uma exposição intitulada "A Evolução de Darwin" entre 12 de Fevereiro e 24 de Maio de 2009, para comemorar os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e, simultaneamente, a passagem de 150 anos sobre a publicação da sua obra seminal "A Origem das Espécies".

O presente ciclo de conferências pretende que todos se iniciem ou (se já iniciados) prossigam "No Caminho da Evolução", criando continuamente imagens construtivas e positivas de si próprios e dos outros, na interacção com a sociedade e o meio ambiente, preparando o clima de saudável circulação de ideias e de aprendizagem que a Exposição de 2009 certamente proporcionará.

 

João Caraça
Director do Serviço de Ciência

 

 

Próxima Conferência

Como nos tornámos humanos?
21/01/2009, 18h00, Auditório 2
Eugénia Cunha - Universidade de Coimbra

 

 

O Serviço de Ciência da Fundação Calouste Gulbenkian, realiza no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian  (Av. de Berna, 45 A)  a conferência  - EVOLUÇÃO E BIOGEOGRAFIA: PORQUE HÁ TANTAS ESPÉCIES NA TERRA? -  que terá lugar no dia 16 de Dezembro, às 18h00, e será proferida pelo Prof. NUNO FERRAND da Universidade do Porto.

 

Há cerca de 150 anos, a publicação de A Origem das Espécies, por Charles Darwin, revolucionou completamente a nossa forma de pensar e explicar a extraordinária diversidade biológica já então conhecida na Terra. Depois de uma célebre viagem de cinco anos à volta do mundo no Beagle, e de um longo período de reflexão, Darwin elaborou uma complexa e detalhada argumentação que mostrou, inequivocamente, como todas as espécies são aparentadas umas com as outras e propôs um mecanismo explicativo para a sua evolução, que designou por selecção natural. Nasceu assim a Teoria da Evolução e a ruptura com uma concepção do mundo essencialmente fixista, onde todas as espécies teriam resultado de um acto único de criação sobrenatural.

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