Vamos passar todos a Fundações?

Na entrevista dada ao Diário Económico em 21 de Junho, o Ministro Mariano Gago confirma  que o seu modelo institucional preferido é a fundação e congratula-se pela anunciada adesão dos Politécnicos ao referido modelo.

No entanto, as vantagens que vêm sendo apontadas ao modelo fundacional, não derivam das  vantagens intrínsecas deste, mas da circunstância de o RJIES atribuir às Universidades - Fundações possibilidades que poderia também  atribuir às Universidades - Institutos Públicos :

- a  possibilidade de celebração de contratos de financiamento plurianuais, prevista no artigo 136º do RJIES,  já vem sendo defendida pelo  SNESup desde 2001, é  compatível com o relacionamento entre o Estado e as Universidades - Institutos Públicos, e  os referidos contratos, a celebrarem-se, seriam vinculativos  para o Estado, na medida em que tanto o nº 2 do artigo 105 º da Constituição da República Portuguesa   como a alínea a) do nº 1 do artigo 16º da Lei de Enquadramento  Orçamental (republicada em anexo à Lei nº 48 / 2004, de 24 de Agosto)  obrigam a inscrever no Orçamento do Estado anual as  dotações necessárias para o cumprimento das obrigações decorrentes de lei ou de contrato;

- a possibilidade de definir critérios e procedimentos  próprios de selecção dos estudantes, prevista no artigo  135 ºdo RJIES , poderia ser alargada a todas as Universidades, respeitado o enquadramento constitucional de acesso ao ensino superior, a que as fundações criadas pelo Estado também  não poderão fugir;

- a possibilidade de criar mais categorias de professores do que as existentes no ECDU, prevista no nº 3 do artigo 134º  do RJIES, ou seja de, por exemplo, criar para além da categoria de catedrático tout court, as de catedrático de duas, três, quatro e cinco estrelas, a exemplo dos  exércitos (ou dos hotéis)  também não decorre da adopção de um  modelo de direito privado, aliás as próprias universidades privadas, que são entidades privadas a sério e não por uma ficção,  têm, nos termos do artigo 52 º do RJIES, de seguir rigorosamente a estrutura de categorias do ensino público.

A concorrência entre universidades - institutos públicos e as universidades - fundação é assim um jogo viciado à partida, e não admirará que acabe por se  vir  a assistir a uma corrida à transformação em fundações.

Quanto à apregoada adesão dos Politécnicos, que  não hesitariam, diz-se, a passar a Fundações, quanto entre as mais antigas Universidades do país persistem fortes reservas, trata-se possivelmente da solução que alguns Presidentes  de Politécnicos, em vias de ultrapassarem os limites máximos de exercício do cargo,  encontraram para continuar a prestar serviço às suas instituições, já que o RJIES  não impede que os actuais Reitores / Presidentes de Institutos passem a Presidentes dos Conselhos de Curadores nas próprias instituições.

Deste modo, o que começou por ser anunciado como a "grande reforma" do Ensino Superior irá acabar por viabilizar "reformas douradas" para reitores e presidentes que já não sabem fazer outra coisa.

Era tempo de o Senhor Ministro perceber que há apoios que comprometem.

Saudações académicas e sindicais

A Direcção do SNESup
25-6-2007

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