Contratos e Defesa Coletiva

07/28/2020

Colega,

Sabemos da ausência de medidas para o Ensino Superior no Orçamento Suplementar, não sendo conhecidas medidas de reforço no Orçamento de Estado para 2021.

A pressão do subfinanciamento tem motivado uma transferência de custos, que é suportada em trabalho não remunerado, subemprego, violações aos princípios da equidade e proporcionalidade na contratação dos convidados, congelamento das carreiras, entre várias formas de desvalorização profissional.

Este é um problema coletivo que só se resolve com a consciencialização profissional de todos.

Quando se propõe a um investigador lecionar sem remuneração, quando se ludibria a proporcionalidade da percentagem de contratação de um convidado, quando se fazem contratos a terminar a 15/7 e a recomeçar a 15/9 (estamos de acordo em generalizar isto a todos os colegas de carreira?); tudo isto resulta num prejuízo para a profissão, com uma passagem de custos para as pessoas que estão em situações mais frágeis

Hoje é reconhecida ao SNESup uma capacidade política, que se assume como ausente no CRUP e no CCISP. Somos os únicos que no Orçamento de Estado conseguimos de facto acudir às situações de maior dificuldade, construindo consensos alargados. Tal deve-se a uma política que olha ao bem comum e coletivo e não apenas por uma política de redistribuição limitada a alguns interesses.

É possível alargar esta capacidade política , mas para tal é fundamental que saibamos agir coletivamente como profissionais que sabem preservar o seu valor. Essa é a viragem fundamental que tem de tocar cada um de nós.

Em primeiro lugar,ninguém deve cair na ludibriação da promessa de pagamento futuro, que já se viu ser coletivamente um logro. Trabalhar sem remuneração, aceitar degradar as condições de contratação, realizar serviço letivo e de vigilância aos exames em férias ou sem ser no período contratualizado é aceitar degradar-se profissionalmente, num custo para si e para os demais.

A escala de esforço de dizer não à degradação ganha outro sentido quando recordamos as pessoas que marcharam contra balas para conseguir aumentos de cêntimos.

As vitórias no Parlamento não são nada, se cada colega não souber preservar o património dessa ação no seu dia a dia e não souber defender a sua dignidade e valor profissional.

Cada um de nós, nas suas ações individuais é responsável também pelo que somos como coletivo. Quando é o próprio o primeiro a atentar contra a sua integridade profissional, dificilmente outrém conseguirá resgatá-la. É preciso saber dizer não à degradação.

#éparacumprir
#nãoàdegradação

Saudações Académicas e Sindicais,
A Direção do SNESup
28 de julho de 2020

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