Colega,

a evolução preocupante da pandemia nas últimas semanas ditou o encerramento das universidades e politécnicos dando origem a um cenário em que as soluções adotadas são muito diversas entre instituições de ensino superior, surgindo riscos na avaliação dos estudantes, no trabalho dos docentes e investigadores e de claro prejuízo pedagógico.

Há casos em que todas as aulas e avaliações foram suspensas, outros em que passaram para online. Há instituições em que as avaliações são presenciais, mas as aulas são online, mantendo-se os calendários letivos inicialmente previstos. Noutras instituições, as avaliações dos alunos são adiadas para as férias de páscoa ou para junho, enquanto o início das aulas do segundo semestre é antecipado em duas semanas.

Ao SNESup têm chegado denúncias de professores, e também de alunos, chamando a atenção para os prejuízos de algumas destas soluções.

A antecipação de aulas do segundo semestre colide com o planeamento do trabalho dos professores, com provas académicas que já tinham previamente agendadas, com o tempo necessário para a preparação de novas unidades curriculares, com a elaboração de candidaturas a projectos de investigação da FCT cujo prazo de abertura está previsto para o final desta semana.

Por isso, entendemos que a manutenção dos calendários inicialmente previstos ou até o adiamento do início das aulas do segundo semestre são opções mais benéficas para os estudantes e com vantagens para a qualidade do trabalho dos professores. O adiamento de avaliações para a páscoa ou para junho, iniciando-se entretanto as aulas do segundo semestre, resulta em claro prejuízo das aprendizagens e organização do estudo dos alunos.

Para o SNESup, nas áreas científicas em que é possível, é urgente que sejam pensadas alterações nas avaliações de forma a que possam ser realizadas online, dado o período excepcional que vivemos. Mas devem ser mantidas de forma presencial todas as avaliações que não podem ser realizadas online, sempre com salvaguarda das condições de segurança sanitária e mantendo ou reajustando o respetivo calendário.

Nos tempos  em que vivemos exige-se capacidade de antever alternativas na organização das atividades letivas nas universidades e politécnicos. Essas alternativas não podem ser desenhadas sem envolvimento dos professores (e dos alunos) e sem auscultação dos órgãos científicos e pedagógicos das instituições de ensino superior.

A pandemia não pode servir para justificar o reforço de lógicas de inspiração autocrática nas instituições de ensino superior.

#éparacumprir

Saudações Académicas e Sindicais,
A Direção do SNESup
26 de janeiro de 2021

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